A Polícia Federal (PF) deflagrou, na quarta-feira (1º), uma nova etapa da Operação Exfil, que investiga um esquema criminoso de vazamento e comercialização de informações sigilosas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), seus familiares e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A ofensiva, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, resultou no cumprimento de um mandado de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo. Esta fase é um desdobramento da primeira etapa da operação, ocorrida em 17 de fevereiro, quando o STF identificou acessos ilícitos aos sistemas da Receita Federal sem qualquer “justificada finalidade”.

Servidores sob Investigação

As investigações apontam que servidores públicos teriam abusado de suas funções para realizar uma “devassa fiscal” em autoridades. Entre os alvos já identificados em fases anteriores estão:

  • Ricardo Mansano de Moraes: Atua na Receita Federal em São José do Rio Preto (SP).

  • Ruth Machado dos Santos: Funcionária administrativa em um posto da Receita no Guarujá (SP).

  • Luciano Pery Santos Nascimento: Servidor lotado na Bahia.

  • Luiz Antônio Martins Nunes: Funcionário do Serpro no Rio de Janeiro.

Segundo o Portal da Transparência, alguns desses investigados chegaram a receber rendimentos brutos superiores a R$ 50 mil em dezembro de 2025. O grupo é suspeito de coletar e vender esses dados sensíveis para terceiros.

Conexão com o Inquérito das Fake News

A Operação Exfil não é um caso isolado, mas sim um braço do Inquérito das Fake News, aberto em 2019 pelo então presidente do STF, Dias Toffoli. A investigação, que tramita sob sigilo e permanece inconclusa após sete anos, apura ataques, ameaças e vazamentos contra a Corte.

O caso reacende uma disputa antiga entre o Judiciário e a Receita Federal. Em 2019, o próprio Alexandre de Moraes já havia suspendido investigações fiscais que miravam ministros, alegando “desvio de finalidade”. Na época, o STF entendeu que o órgão promovia devassas sem indícios reais de irregularidade, utilizando o acesso privilegiado a dados como arma política ou financeira.

Além da quebra de sigilo, o inquérito também monitora contatos entre autoridades. Relatos indicam que Moraes teria se encontrado presencialmente e por telefone com Gabriel Galípolo (atual presidente do Banco Central) para tratar de problemas envolvendo o banco de Daniel Vorcaro, embora os detalhes dessas conversas ainda estejam sob apuração.