O percentual de famílias brasileiras com contas e compromissos financeiros a vencer registrou uma pequena redução em outubro de 2026. De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada nesta quinta-feira (5) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o índice passou de 81,7% em setembro para 81,6% no mês passado.

Embora seja o segundo recuo consecutivo, o resultado ainda demonstra o elevado comprometimento da renda dos brasileiros com dívidas. Na comparação anual, o cenário é de piora: em outubro de 2025, o percentual de famílias endividadas era de 79,5%.

O levantamento considera diferentes modalidades de compromissos financeiros, incluindo compras parceladas no cartão de crédito, cheque especial, carnês de lojas, crédito consignado, empréstimos pessoais, financiamentos de veículos e imóveis.

Inadimplência também apresenta melhora

A pesquisa da CNC também identificou sinais de recuperação na capacidade de pagamento das famílias. A parcela de consumidores que se consideram muito endividados diminuiu de 17,3% em setembro para 16,8% em outubro.

Com o resultado, o indicador alcançou o menor nível desde abril, apontando uma melhora gradual na percepção dos brasileiros sobre o próprio orçamento e o peso das obrigações financeiras.

A redução também foi observada nos indicadores de inadimplência. O percentual de famílias com contas ou compromissos financeiros em atraso caiu de 29,6% em setembro para 29,3% em outubro. Já o grupo de consumidores que afirma não ter condições de regularizar os débitos pendentes recuou de 12,5% para 12,2% no mesmo intervalo.

Os números indicam uma melhora moderada na situação financeira dos brasileiros, com redução tanto no volume de contas atrasadas quanto na dificuldade de quitar essas obrigações. Apesar disso, o elevado índice de endividamento mostra que o orçamento doméstico continua pressionado pelo acúmulo de compromissos financeiros.

Indicador financeiro (Peic/CNC) Setembro de 2026 Outubro de 2026
Famílias endividadas (total) 81,7% 81,6%
Famílias “muito endividadas” 17,3% 16,8%
Famílias com contas em atraso 29,6% 29,3%
Sem condições de pagar dívidas 12,5% 12,2%
Tempo médio de atraso (dias) 65,3 dias 65,1 dias

O levantamento também apontou uma pequena melhora no tempo médio de atraso das contas. Em outubro, os consumidores permaneceram, em média, 65,1 dias com pagamentos pendentes, contra 65,3 dias registrados no mês anterior. A redução foi influenciada principalmente pela diminuição das dívidas acumuladas há mais de 90 dias.

Outro dado que chama a atenção é o comprometimento da renda familiar. Em outubro, 19,3% das famílias destinavam mais da metade dos ganhos mensais ao pagamento de dívidas. Em setembro, esse percentual era de 19,4%, representando uma queda de 0,1 ponto percentual.

Expectativa de melhora até o fim do ano

Para os últimos meses de 2026, as projeções da Confederação Nacional do Comércio apontam para a continuidade da redução dos atrasos nos pagamentos e uma possível estabilização do endividamento das famílias brasileiras.

Entre os fatores que podem contribuir para esse cenário estão o aumento das contratações temporárias no período natalino e o pagamento do décimo terceiro salário. A entrada de recursos extras tende a ampliar a capacidade financeira dos consumidores, permitindo a renegociação de débitos, a quitação de contas atrasadas e uma reorganização do orçamento doméstico.

A expectativa é que esses recursos também sejam utilizados nas tradicionais compras de fim de ano. Ainda assim, o elevado percentual de famílias endividadas indica que o equilíbrio financeiro continuará sendo um desafio para uma parcela significativa dos brasileiros.