
A empresa 3Structure IT Ltda., citada em uma investigação da Polícia Federal (PF) que apura suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, firmou seis contratos com órgãos do governo federal que, juntos, somam cerca de R$ 85,7 milhões.
Segundo informações levantadas em bases oficiais, os contratos têm como objetivo a prestação de serviços e fornecimento de soluções na área de tecnologia da informação. Pelo menos cinco acordos foram realizados por meio de processos licitatórios.
Criada em 2019 e com sede em Florianópolis (SC), a 3Structure IT fechou seu primeiro contrato com o governo federal em novembro de 2022, junto ao Centro Integrado de Telemática do Exército. O acordo previa serviços de tecnologia e comunicação de backup para ampliar a capacidade de armazenamento do sistema da instituição. O contrato, inicialmente avaliado em R$ 21,8 milhões, recebeu um aditivo de aproximadamente R$ 3,6 milhões em julho deste ano.
Outros contratos foram firmados durante o atual governo. O maior deles envolve o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, que contratou uma solução para manutenção do ambiente de análise de dados da pasta. O valor acumulado do acordo ultrapassa R$ 42 milhões.
A empresa também possui outro contrato com o mesmo ministério, no valor de aproximadamente R$ 19,3 milhões, para implantação de uma nova solução de backup em substituição ao sistema utilizado anteriormente.
Além disso, a 3Structure IT mantém contratos com órgãos como o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines), vinculado ao Ministério da Educação, no valor de cerca de R$ 178 mil, e com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), em torno de R$ 2,5 milhões. Em outubro de 2024, a empresa também assinou contrato com a Telebras, estatal ligada ao Ministério das Comunicações, cujo valor não foi divulgado.
Investigação da Polícia Federal
A PF apura a relação entre Lulinha e o empresário Cleber Ribas de Oliveira, sócio da 3Structure IT, diante de suspeitas de que a empresa teria buscado ampliar negócios junto a órgãos públicos.
A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e avalia possíveis indícios de tráfico de influência. Lulinha também é investigado em outro procedimento que apura suspeitas relacionadas a corrupção e influência indevida em órgãos públicos.
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirma que não teve acesso ao novo inquérito e nega qualquer irregularidade, sustentando que as investigações têm caráter político.







