
O regime iraniano se prepara para executar a primeira mulher condenada à morte em decorrência da brutal repressão aos protestos iniciados em janeiro de 2026.
A notícia surge em um momento em que novas investigações apontam que o número de mortos na onda de manifestações anti-regime já ultrapassa a marca de 33 mil pessoas. Até o momento, o país já enforcou sete pessoas ligadas aos atos.
Na terça-feira, mais quatro sentenças de morte foram proferidas pelo Tribunal Revolucionário de Teerã, sob o comando do juiz Imam Afshari, conhecido por sua linha dura.
Entre os novos condenados estão Bita Hemmati e seu marido, Mohammadreza Majidi-Asl. Além do casal, dois vizinhos, Behrouz e Kourosh Zamaninejad, também receberam a pena capital.
Segundo agências de direitos humanos, como a Human Rights Activists News Agency (HRANA), os quatro foram acusados de atuar em nome dos Estados Unidos. A acusação formal alega que eles lançaram blocos de concreto contra forças de segurança do topo de seu edifício residencial.
Especialistas acreditam que Hemmati é a mulher que apareceu em um vídeo da TV estatal em janeiro, sendo interrogada pessoalmente pelo chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni Ejei. Organizações internacionais denunciam que o regime utiliza “confissões forçadas” obtidas sob tortura e processos sem transparência.
Explosão no número de mortos e execuções
O cenário da repressão no Irã atingiu níveis alarmantes:
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Mortes em protestos: Novas pesquisas indicam que o número real de mortos chegou a 33.100, quase o dobro das estimativas anteriores (que variavam entre 16 mil e 18 mil).
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Recorde de execuções: Um relatório anual das ONGs Iran Human Rights (IHR) e Together Against the Death Penalty (ECPM) revelou que pelo menos 1.630 pessoas foram executadas em 2025, o número mais alto desde 2008.
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Perfil das vítimas: Das execuções do ano passado, 48 eram mulheres.
O alvo nos jovens e atletas
A crueldade do regime não poupou nem mesmo jovens e figuras públicas. Recentemente, um músico de 18 anos, Amirhossein Hatami, foi enforcado após ser condenado por “Moharebeh” (Inimizade contra Deus). Dias depois, outros dois jovens, de 19 e 30 anos, foram executados sob acusação de incêndio criminoso em uma base paramilitar.
Outro caso que gerou revolta mundial foi o de Saleh Mohammadi, atleta de 19 anos e medalhista internacional. Ativistas afirmam que sua execução foi um “assassinato político”, parte de um padrão do regime de visar atletas para aterrorizar a sociedade civil.
Clima de terror
Grupos de direitos humanos acusam o governo iraniano de usar a pena de morte como uma ferramenta sistemática para instilar medo na população e esmagar qualquer dissidência, especialmente após o agravamento das tensões militares com os Estados Unidos e Israel.
Atualmente, centenas de outras pessoas aguardam julgamento em processos considerados “farsas jurídicas” e podem enfrentar o mesmo destino nas próximas semanas.







