
Réu por feminicídio e fraude processual, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, foi transferido para a reserva da Polícia Militar de São Paulo com salário integral, ato equivalente à aposentadoria. A medida, publicada no Diário Oficial, passa a valer imediatamente e foi solicitada pelo próprio oficial.
Mesmo preso no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março, ele continuará recebendo remuneração total, já que cumpriu os requisitos legais de tempo de serviço. O salário, que antes da prisão chegou a R$ 28,9 mil brutos, deve ficar em torno de R$ 21 mil na aposentadoria, podendo variar conforme adicionais.
A ida para a reserva não interrompe o processo administrativo que pode resultar na expulsão da corporação. Caso perca a patente por decisão judicial, Rosa Neto poderá ser transferido para um presídio comum, embora a legislação preveja medidas de proteção para ex-agentes de segurança. Ainda assim, fontes apontam que a eventual perda do posto não anula o direito à aposentadoria.
A decisão foi criticada pelo advogado da família da vítima, José Miguel da Silva Júnior, que questionou a rapidez na concessão do benefício – menos de uma semana após o pedido – e apontou possível tratamento privilegiado. Ele também contestou a manutenção dos pagamentos ao oficial, mesmo diante da gravidade do crime.
Segundo as investigações, Geraldo teria assassinado a soldado Gisele Alves Santana, em fevereiro, no apartamento do casal no Brás. Inicialmente a morte foi apresentada como suicídio, mas laudos periciais indicaram inconsistências. A perícia encontrou lesões incompatíveis com essa versão e apontou indícios de que a cena do crime foi manipulada.
A apuração também identificou que o celular da vítima foi acessado após o disparo e teve mensagens apagadas. Conversas recuperadas mostram que o casal discutia separação na véspera da morte. Testemunhas relataram ainda um histórico de comportamento agressivo e controlador por parte do oficial.
O Ministério Público sustenta que Rosa Neto matou a esposa e tentou simular suicídio, o que embasa as acusações de feminicídio e fraude processual. A defesa nega o crime, afirma que ele encontrou a mulher ferida e diz que o oficial tem colaborado com as investigações.
O caso segue em andamento e pode ser levado a júri popular.







