O cantor paraense Bruno Mafra, conhecido pela atuação na banda Bruno e Trio, foi condenado pela Justiça do Pará por abuso sexual contra as próprias filhas. O Tribunal de Justiça do Estado do Pará confirmou a sentença em segunda instância, mantendo a pena de aproximadamente 32 anos de prisão em regime inicial fechado.

Segundo o processo, os crimes ocorreram entre 2007 e 2011, em Belém, quando as vítimas tinham entre 5 e 7 anos. De acordo com o Ministério Público, os abusos foram praticados de forma repetida em diferentes locais, como a residência da família e veículos, com uso de autoridade paterna e manipulação psicológica.

O caso veio à tona somente em 2019, quando as vítimas, já adultas, decidiram denunciar os crimes.

Durante o julgamento, os desembargadores concluíram que havia provas suficientes de autoria e materialidade do crime. A relatora do caso, desembargadora Rosi Maria Gomes, rejeitou os argumentos da defesa e destacou que os depoimentos das vítimas apresentaram coerência e riqueza de detalhes, mesmo após tantos anos.

Ela ressaltou ainda que, em crimes dessa natureza, a palavra da vítima tem especial relevância quando corroborada por outros elementos.

A defesa do cantor informou, por meio de nota, que pretende recorrer da decisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e no Supremo Tribunal Federal (STF), alegando possíveis violações ao devido processo legal e questionando a validade de provas utilizadas na investigação.

A assistência de acusação, por sua vez, destacou que a confirmação da condenação representa um avanço para vítimas de violência sexual intrafamiliar e reforça que o tempo decorrido entre o crime e a denúncia não impede a responsabilização penal. O cumprimento da pena ocorrerá após o trânsito em julgado do processo.