Levantamento do NetLab da UFRJ aponta que 123 canais brasileiros continuam a divulgar conteúdo misógino no YouTube, somando mais de 23 milhões de inscritos e cerca de 130 mil vídeos. Desde 2024, quando 137 canais foram identificados, apenas 14 foram removidos, e 20 mudaram de nome, mantendo parte do conteúdo contra mulheres.

Os canais ganharam 3,6 milhões de novos inscritos desde abril de 2024, e cerca de 80% utilizam estratégias de monetização, incluindo anúncios, programas de membros, vendas de e-books ou transferências via Pix. Segundo a pesquisa, a misoginia se tornou um nicho de negócio baseado em humilhação e inferiorização das mulheres.

O estudo mapeou vídeos publicados principalmente a partir de 2021, com 52% entre janeiro de 2023 e abril de 2024, e cerca de 25 mil novos vídeos postados desde então. Para classificar os canais, o NetLab considerou apenas aqueles com pelo menos três vídeos contendo manifestações de ódio às mulheres, sendo a categoria mais comum “desprezo às mulheres e estímulo à insurgência masculina”, presente em 42% dos conteúdos.

Além de linguagem ofensiva explícita, influenciadores usam abreviações e apelidos para driblar a moderação, como “colher” para mulher ou “msol” para mães solo. As imagens reforçam a inferiorização, mostrando mulheres hipersexualizadas ou submissas. A pesquisa defende maior responsabilização das plataformas e sugere que a criminalização da misoginia poderia ajudar a reduzir esses discursos.