Mulheres e diversidade assumem o comando das baterias de escolas de samba

A nova geração de mestres de bateria está impulsionando uma onda de diversidade no carnaval. A jovem Laísa Lima, de 26 anos, quebrou barreiras ao se tornar a primeira mulher a cruzar a Marquês de Sapucaí como mestra de bateria, comandando a ‘Sensação’ do Arranco do Engenho de Dentro. Seu feito histórico é celebrado por pioneiras como Helen Maria da Silva Simão, 46 anos, que comanda a bateria do Bloco Carnavalesco Novo Horizonte e dirige o naipe de chocalhos da Siri de Ramos.

Um legado de superação e reconhecimento

Helen Maria, que enfrentou o machismo para construir seu legado, expressa orgulho por Laísa e vislumbra um futuro com mais mulheres no comando das baterias. “Não estamos em uma bateria só para tocar chocalho, temos o conhecimento [da bateria] como um todo. Quanto mais mulheres aparecerem no comando de uma bateria eu bato palmas, tem que ser assim”, afirmou a pioneira.

Novas influências musicais e identidades no carnaval

A diversidade na liderança das baterias também traz novas influências musicais e identidades para o carnaval. O mestre Markinhos, 31 anos, homem LGBTQIA+ e diretor de chocalho da Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, desfila ao lado do pai, mestre Marcão, misturando referências masculinas e femininas em sua indumentária. Ele destaca a importância do apoio familiar e a luta contra a homofobia e transfobia no ambiente do carnaval.

A bateria: o coração pulsante do samba

As baterias são essenciais para o carnaval, ditando o ritmo do samba-enredo e a energia dos desfiles. A pesquisadora Helena Theodoro, especialista em cultura afro-brasileira, explica que a ascensão de mulheres a cargos de liderança nas baterias reflete uma consciência social crescente, que começou a se manifestar a partir da década de 1960.

Trajetórias e conquistas de Laísa Lima

Laísa Lima, que também é responsável pelos tamborins da vice-campeã Beija-Flor de Nilópolis há dez anos, agradece o reconhecimento e as oportunidades, atribuindo parte de seu sucesso a Tatiana Santos, presidenta do Arranco, e Annik Salmon, a única mulher carnavalesca na Sapucaí em 2026. A jovem mestra representa a força e a inovação que a nova geração traz para o futuro do carnaval.

Com informações da Agência Brasil