
O setor audiovisual brasileiro está em um momento de expansão internacional, com uma missão oficial inédita à Índia e à Coreia do Sul, integrando a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A delegação da cadeia produtiva do audiovisual e da economia criativa, articulada pela Federação da Indústria e Comércio do Audiovisual Brasileiro (FICA), busca aproximar mercados, diversificar formas de financiamento e ampliar a exportação de conteúdo nacional para dois dos maiores mercados globais do setor.
Cenário de maturidade e relevância econômica
Segundo a presidente da FICA, Walkíria Barbosa, a missão ocorre em um momento de maturidade institucional do setor, que deixou de ser um nicho cultural para se tornar um vetor de desenvolvimento econômico, tecnológico e diplomático.
Dados recentes reforçam a importância econômica do audiovisual brasileiro. Um estudo da Oxford Economics em parceria com a Motion Picture Association (MPA) aponta que a indústria gerou R$ 70,2 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, sustentou 608.970 empregos e arrecadou cerca de R$ 9,9 bilhões em tributos.
Eixos da missão e inspiração em modelos asiáticos
Os objetivos da missão incluem a apresentação institucional do mercado audiovisual brasileiro, a geração de oportunidades de coprodução e distribuição internacional, a discussão de modelos de financiamento e a troca de tecnologia e conhecimento.
A estratégia busca inspiração em modelos consolidados como a “onda coreana” (Hallyu), que transformou a Coreia do Sul em potência cultural global através da articulação entre política pública, indústria, tecnologia e estratégia exportadora. Índia e Coreia do Sul estruturaram cadeias produtivas robustas que conectam cinema, música, séries, animação e games à política externa e à expansão econômica.
“Inspirar-se nesses modelos não significa replicar fórmulas, mas compreender como a coordenação entre Estado e mercado, aliada a investimento em inovação e formação de talentos, pode impulsionar nossa vocação cultural e industrial”, avalia Walkíria Barbosa.
Funcines como ferramenta de atração de investimentos
A presidente da FICA destaca a importância dos Fundos de Investimento em Participações (Funcines) como mecanismos que permitem a participação do capital privado com incentivos fiscais claros e segurança jurídica.
“Esses mecanismos ampliam a capacidade de financiamento estruturado, reduzem riscos e atraem investimentos estrangeiros, inclusive de empresas asiáticas interessadas em coproduções e parcerias estratégicas”, completa.
A missão ocorre em paralelo à participação brasileira na Cúpula de Inteligência Artificial, realizada na Índia.
Com informações da Agência Brasil







