A Asa Norte de Brasília foi tomada por um espetáculo de cores e ritmos nesta terça-feira (17) com o cortejo do bloco de Carnaval Calango Careta. Uma imponente alegoria de calango gigante, símbolo do bloco desde 2015, liderou a festa, serpenteando pelas ruas em um formato de “carnaval de vizinhança” que prioriza a coletividade, diferente dos grandes blocos concentrados em áreas isoladas.

A iniciativa, que busca promover um carnaval mais integrado e comunitário, atraiu moradores de todas as idades. Ana Bastos, analista de sistemas e moradora de Brasília há 19 anos, trouxe a filha Helena para aproveitar a folia. “Os bloquinhos são uma delícia, há animação e tranquilidade”, comentou, comparando a experiência com o carnaval de sua terra natal, Recife.

Cerrado em destaque e a força da arte

O Calango Careta também carrega uma mensagem de conscientização ambiental. Ao lado do calango, um grande boneco de saruê, frequentemente mal compreendido por sua semelhança com roedores, reforça a importância da preservação do Cerrado. Gabriel Ballarini, educador social e bonequeiro voluntário, expressou seu orgulho em dar vida à alegoria. “Estou me sentindo muito orgulhoso hoje”, disse, enquanto animava o público com a estrutura de quatro quilos.

A festa encantou até os pequenos. Rui, de 1 ano e quatro meses, fantasiado de capivara, demonstrou seu amor pela percussão, influenciado pela mãe musicista. Seu pai, Pedro Tarcísio, destacou o fascínio do filho pelos instrumentos e animais apresentados no bloco.

Estética vibrante e referências culturais

A estética do Calango Careta é uma fusão de cultura popular e psicodelia, com artistas em pernas de pau, palhaços, acrobatas e outros elementos circenses que guiam o cortejo. Vanessa Cândido Rezende, apoiadora do bloco, personificou a alegria do carnaval com um regador que lançava glitter nos foliões, simbolizando a “alegria do carnaval que levaremos para o resto do ano”.

O bloco também se inspirou em produções cinematográficas brasileiras. O casal Ana Chalub, jornalista, e Luiz Bragança, músico, homenageou o filme “O Agente Secreto”. Ana se fantasiou de Dona Sebastiana, personagem do longa, enquanto Luiz optou pela irreverente fantasia de orelhão, remetendo às décadas de 1970 e 1980.

Sonoridade que embala a folia

A trilha sonora do Calango Careta é garantida pela Orquestra Camaleônica, com sua fanfarra própria que dita o ritmo com sopros e percussão. O repertório mescla ciranda, frevo, maracatu e sucessos da MPB, com canções como “Lucro” (BaianaSystem) e “Frevo Mulher” (Zé Ramalho) ecoando entre os foliões.

A interação próxima entre músicos e público é uma marca do bloco, que não utiliza cordas ou abadás. Mariana Junqueira Marini, 15 anos, fantasiada de personagem de “Backyardigans”, expressou sua nova paixão pelo carnaval. “Agora, gosto mais porque venho com minhas amigas”, revelou.

Celebração para todas as idades

O Calango Careta reúne gerações, promovendo uma celebração inclusiva. Gabriela Barcellos, fisioterapeuta grávida de 8 meses, participou pela primeira vez, planejando criar o filho em meio à tradição carnavalesca. “Aqui em Brasília, a cultura do carnaval tem aumentado bastante”, observou.

Mara Carvalho, aposentada de 75 anos, é frequentadora assídua do bloco e fez questão de levar a família para manter viva a tradição. “Desde pequenininha, eu gosto muito de carnaval”, disse, antes de seguir para outro bloco da cidade.

Tradição e legado

Desde 2015, o Calango Careta se consolidou como um ícone de Brasília. A divulgação do trajeto poucas horas antes do cortejo cria expectativa, e o bloco já inspirou fábulas escolares sobre cultura popular e pertencimento. Na próxima sexta-feira (20), o documentário “Calango Careta: 10 Anos de Eterno Carnaval” será exibido no Cine Brasília, contando a história desse movimento que transformou uma brincadeira em tradição.

Com informações da Agência Brasil