
O tradicional bloco Bafo da Onça celebrou seus 70 anos com um desfile especial de Carnaval em 2026, marcando uma nova era em sua trajetória. Pela primeira vez, a agremiação ocupou as ladeiras de Santa Teresa, no Centro do Rio de Janeiro, e apresentou uma bateria com mais de 100 ritmistas, reforçando sua presença na folia carioca.
Uma das novidades deste ano foi a parceria inédita com o Cacique de Ramos, um antigo rival que se tornou um aliado importante na cena do carnaval de rua. A aproximação entre os blocos começou em 2025, quando o Cacique de Ramos se apresentou na quadra do Bafo da Onça.
Uma história de 70 anos
Fundado em 1956 em um botequim do Catumbi pelo lendário Sebastião Maria, conhecido como Tião Maria, o Bafo da Onça é o segundo bloco em atividade mais antigo do Rio de Janeiro, atrás apenas do Cordão da Bola Preta. Ao longo de sete décadas, o bloco se consolidou como um símbolo do carnaval de rua e da cultura popular carioca. Há mais de 50 anos, a agremiação é liderada por Roberto Saldanha, o Capilé.
A mudança para o bairro de Santa Teresa é vista pelos integrantes como um retorno às origens e um reencontro com a essência do bloco.
Vozes do Bloco
“É o quarto ano consecutivo que venho como oncinha do Bafo da Onça. É uma alegria muito grande. Todos os outros anos foram na Avenida Chile. A primeira vez em Santa Teresa traz muita alegria e muita coisa boa”, afirma Rafa Manso, integrante do bloco, destacando a importância da personagem “oncinha” para a identidade da agremiação.
Para o presidente Roberto Saldanha, desfilar em Santa Teresa tem um significado profundo: “Isso aqui para mim é um sonho. Eu tô no meu quintal. Eu tô em casa. Aqui a gente conhece todo mundo. Não tem nada de confusão, problema, aqui a gente só quer brincar”, declarou.
Chelen Verlink, Rainha do Bafo da Onça, que acompanha o bloco desde a adolescência, compartilhou sua trajetória: “Comecei como princesa, com 13 anos. Hoje estou com 27 e no posto de Rainha. A gente vai crescendo junto com o bloco”. Ela ressaltou o caráter familiar do Bafo da Onça.
Superando desafios e fortalecendo laços
O desfile também serviu para relembrar a reconstrução do bloco após um incêndio que atingiu sua sede histórica em 2020, destruindo instrumentos e fantasias. A nova bateria, com instrumentos adquiridos por meio de emenda parlamentar, simboliza essa resiliência.
A parceria com o Cacique de Ramos foi celebrada como um fortalecimento do carnaval de rua. “Na realidade, nós nunca fomos rivais. Nós somos irmãos. Eles trazem uma ala para desfilar com a gente. Carnaval é festa”, reforçou Saldanha.
Entre os foliões, a novidade foi recebida com entusiasmo. Luana Brito, que viajou de Bangu para acompanhar o desfile, expressou sua expectativa: “Eu já tinha planejado vir. No sábado, fui para outros blocos, mas hoje quis vir para o Bafo da Onça, que eu sei que é um bloco muito bom. Essa parceria é perfeita. A expectativa é que seja perfeito”.
Integrantes e foliões concordam que a união entre blocos tradicionais é crucial para valorizar e fortalecer o carnaval de rua. “Vai atrair mais público. É bom que outros blocos também se unifiquem para valorizar os blocos tradicionais”, avaliou Rafa Manso.
O desfile de 70 anos reafirma a vocação do Bafo da Onça de ocupar o espaço público como um território de encontro, memória e festa, mantendo-se firme no circuito oficial do carnaval carioca.
Com informações da Agência Brasil







