O Cordão do Bola Preta, o bloco de carnaval mais antigo em atividade no Brasil, celebrou 107 anos de tradição neste sábado (14), reunindo milhares de foliões no centro do Rio de Janeiro. Vestidos de branco com bolinhas pretas, os participantes seguiram o trajeto tradicional, embalados por marchinhas e o hino oficial “Quem não chora, não mama”, em um desfile que teve como tema a própria relevância histórica do bloco: “Bola Preta, DNA do Carnaval”.

O evento, que concentrou na Rua Primeiro de Março e passou pela Avenida Presidente Antônio Carlos, atraiu cariocas, turistas, famílias e pessoas de todas as idades. A energia contagiante do bloco proporcionou momentos de alegria e celebração, como a da recém-formada fisioterapeuta Luana Flor, que escolheu o Bola Preta para comemorar sua conquista: “Não tinha lugar melhor para eu curtir a minha formatura. Ele traz a história do Rio e é sempre muito cheio, tem uma energia muito boa.”

Rainha Paolla Oliveira e Corte Real encantam a multidão

A chegada da rainha do bloco, a atriz Paolla Oliveira, foi anunciada por gritos eufóricos da multidão. “Muito feliz de estar mais um ano aqui com o Bola Preta, que tem essa energia maravilhosa. Existe algo melhor do que essa festa aqui?”, declarou a atriz, emocionada com a recepção. Paolla destacou a importância do público para a festa: “É o povo que faz isso tudo possível.”

A tradicional Corte Real do Bola Preta também abrilhantou o desfile, com a presença de personalidades como Leandra Leal (porta-estandarte), Neguinho da Beija-Flor (padrinho), Maria Rita (madrinha), Emanuelle Araújo (musa da banda), João Roberto Kelly (embaixador), Tia Surica da Portela (embaixadora) e Selminha Sorriso (musa das musas). A corte foi reforçada com a estreia das novas musas de 2026: Lú Bandeira, Flavia Jooris e Andrea Martins.

História, sustentabilidade e futuro do Bola Preta

Fundado em 1918, o Cordão do Bola Preta tem uma biografia entrelaçada à história do Carnaval brasileiro. O bloco testemunhou guerras, mudanças políticas e a pandemia de covid-19, mantendo sua essência ao longo dos anos. “A essência dos fundadores do Cordão da Bola Preta se mantém até hoje e é a razão de sermos sempre fortes, pujantes e termos superado muitas crises na trajetória de vida do bloco”, afirma Pedro Ernesto, presidente do bloco.

Em uma iniciativa de sustentabilidade, o bloco mantém, pelo terceiro ano consecutivo, a parceria com a Liga Amigos do Zé Pereira, o bloco Vagalume O Verde e o Parque Nacional da Tijuca/ICMBio para a medição e compensação de carbono das emissões dos geradores dos trios elétricos.

O reconhecimento como Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial do Estado do Rio de Janeiro, em julho do ano passado, reforça a importância do bloco. Além disso, a Prefeitura do Rio anunciou que a sede do Bola Preta, na Lapa, ganhará um centro cultural, com obras previstas para iniciar no primeiro semestre deste ano.

Com informações da Agência Brasil