O bairro do Bixiga, em São Paulo, foi palco de uma tarde vibrante de carnaval neste sábado (12), com o desfile de meia dúzia de blocos que atraíram milhares de foliões. O circuito, conhecido por sua tradição e por abrigar parte da memória do samba paulista, ofereceu uma programação que valorizou a diversidade da música brasileira, com ritmos como funk, MPB, Tim Maia, Lulu Santos e até rap dos Racionais MCs, muitas vezes com uma roupagem eletrônica.

A região, que abriga uma parcela significativa da comunidade negra da cidade e é berço do tradicional bloco Vai-Vai, também se destaca como um espaço de resistência cultural contra a gentrificação do centro. A atmosfera descrita pelos participantes foi de acolhimento e animação, com destaque para a segurança e a organização.

Cristiane Curaça, estudante e criadora de conteúdo digital, descreveu o circuito como “bom, tranquilo e super agitado”, apreciando a mistura de sensações que a festa proporcionou. Ana Clara Bastos, atriz, e Alana Melo, estudante universitária, fantasiadas de diabas, definiram o clima como um “inferninho bom, bem acolhedor”, ressaltando a ausência de assédio e o respeito mútuo entre os foliões, contrastando com experiências negativas em outros eventos.

A presença ostensiva da polícia e da Guarda Municipal, com agentes armados com escopetas, foi notada durante o evento, o que, segundo relatos, contribuiu para uma sensação de segurança, diferentemente de outras experiências mencionadas.

Além dos carros de som e da banda ao vivo do bloco JeTreme Mon Amour, os foliões aproveitaram o tempo firme e ameno, frequentando os bares e adegas da Rua Treze de Maio, um ponto tradicional da boemia paulistana. Turistas como Kim Maruyama, de São José do Rio Preto, expressaram surpresa positiva com a organização e a atmosfera tranquila e animada do carnaval paulista, desmistificando percepções negativas divulgadas pela mídia.

A Rua Treze de Maio, que recebeu a multidão acima e abaixo da Igreja de Nossa Senhora Achiropita, mostrou-se animada, com comércios abertos e moradores saudando os brincantes das janelas e sacadas. A festa acolheu um público diverso em idade e trouxe para as ruas uma rica mistura de sons brasileiros.

A organização dos blocos foi elogiada pela boa espaçamento entre eles, facilitando a dispersão na Praça Dom Orione. A disponibilidade de banheiros públicos foi considerada razoável, embora em alguns pontos críticos a demanda tenha superado a oferta, levando a situações de uso irregular do espaço público.

A limpeza do circuito também foi um ponto positivo, com a presença de trabalhadores de reciclagem ajudando a minimizar o lixo deixado pelos blocos.

Com informações da Agência Brasil