
O Banco do Brasil (BB) revelou, na noite desta quarta-feira (11), que um único caso de inadimplência no segmento de atacado causou um rombo de R$ 3,6 bilhões em seu balanço do quarto trimestre de 2025.
O calote foi o principal responsável pela subida do índice de inadimplência (atrasos acima de 90 dias), que saltou de 4,51% no terceiro trimestre para 5,17% no fechamento do ano.
Sem esse evento específico, a taxa de inadimplência estaria em 4,88%. O episódio também afetou o índice de cobertura do banco, que caiu para 155,4%. Isso significa que, para cada R$ 1,00 em risco, o banco possui R$ 1,55 provisionado para cobrir eventuais perdas.
“Caso Antigo” e cessão de crédito
Embora o BB esteja impedido por lei de revelar o nome da companhia, o vice-presidente de Riscos, Felipe Prince, afirmou tratar-se de um “caso antigo” em que tentativas anteriores de regularização falharam. Segundo o executivo, a operação tornou-se inadimplente durante novas negociações em 2025.
Para estancar o problema, o banco cedeu a dívida em janeiro de 2026 para um fundo especializado em créditos de alto risco (conhecidos como special situations). “Este caso específico não deve gerar novos impactos no primeiro trimestre de 2026”, garantiu Prince.
A polêmica Braskem: Apesar do banco não confirmar o nome, o jornal Estado de S. Paulo apontou a petroquímica Braskem como a origem do débito. Em nota oficial, a empresa negou ter tal exposição financeira com o BB e afirmou seguir adimplente com suas obrigações.
Lucro de R$ 20,7 bilhões e reação do mercado
Apesar do susto com o calote, o Banco do Brasil encerrou 2025 com um lucro líquido de R$ 20,7 bilhões. O valor representa uma queda acentuada de 45,4% em relação a 2024, mas ficou dentro da meta revisada pelo banco (que previa entre R$ 18 bi e R$ 21 bi).
A reação dos investidores nesta quinta-feira (12) foi positiva: as ações do BB (BBAS3) operaram em alta de 4,50%. O otimismo se justifica pelo fato de o lucro ter atingido o teto das projeções e pela sinalização de que o maior “esqueleto” da carteira de crédito já foi resolvido e repassado a terceiros.







