
Uma pesquisa recente revelou que 73% dos brasileiros são a favor do fim da escala de trabalho 6×1, que estabelece seis dias de trabalho para apenas um de descanso. No entanto, a aprovação da medida esbarra em uma condição crucial: a manutenção dos salários.
Quando questionados sobre a possibilidade de redução salarial em troca de mais folgas, o apoio ao fim da escala 6×1 cai drasticamente. Apenas 28% dos entrevistados se mantiveram favoráveis, enquanto 40% só apoiam a mudança se não houver impacto financeiro negativo. Outros 5% ainda não têm opinião formada sobre essa condicionante.
A importância da remuneração
Marcelo Tokarski, em análise sobre a pesquisa, destaca que a principal discussão no Congresso gira em torno da redução da jornada com ou sem diminuição da remuneração. “O que a pesquisa mostra muito claramente é que quase todo mundo é favorável que tem que ter uma folga a mais. Não dá para trabalhar seis dias e folgar um só”, afirma.
Ele explica que as empresas defendem a não redução da jornada ou, caso ocorra, que seja com diminuição salarial. Já os trabalhadores, em geral, não aceitam essa proposta. “No Brasil, país de renda média baixa, de trabalho mais precarizado, pouca gente aceita ter uma folga a mais se o salário diminuir”, pontua Tokarski.
Desejo por mais descanso
A pesquisa também aponta que 84% das pessoas acreditam que o trabalhador deveria ter duas folgas obrigatórias. Esse desejo por mais descanso é quase unânime. Contudo, a realidade financeira se impõe: “quando a gente coloca que você vai trabalhar um dia menos, mas vai ganhar menos, o cara não quer porque tem conta para pagar”, conclui Tokarski.
Apoio político e tramitação da PEC
O fim da escala 6×1 conta com maior aprovação entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a pesquisa, 71% dos que votaram em Lula são a favor do projeto. Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, 53% apoiam a medida.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 148/2015, que trata do assunto, já foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça do Senado e aguarda votações em plenário no Senado e na Câmara. Se aprovada, a mudança ocorrerá de forma gradual, com a redução da jornada semanal de trabalho prevista para chegar a 36 horas a partir de 2031. Um ponto crucial que ainda será debatido é se os empregadores poderão ou não reduzir a remuneração dos trabalhadores para compensar o tempo de descanso adicional.
Sobre a aprovação da PEC, 52% dos entrevistados acreditam que ela será aprovada pelo Congresso, enquanto 35% discordam.
Com informações da Agência Brasil







