O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), apresentou um requerimento para convocar a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, para prestar esclarecimentos à comissão.

O pedido foi protocolado na segunda-feira (2) e ainda precisa ser aprovado pela maioria dos integrantes da CPI. Caso receba aval, a data da oitiva será definida nos próximos dias. A primeira reunião da comissão está marcada para 11 de fevereiro.

Segundo o requerimento, Viviane Barci deverá explicar suspeitas de possível tráfico de influência e exploração de prestígio junto a instâncias superiores do Poder Judiciário e a órgãos da administração pública.

As suspeitas surgiram após a análise de documentos preliminares que apontam a existência de um contrato no valor de R$ 129 milhões entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados. Para o relator, há indícios de que o valor pago não guarda relação proporcional com os serviços prestados.

Segundo Alessandro Vieira, a discrepância entre o montante e a natureza do contrato pode indicar que o acordo teria sido utilizado para dar aparência de legalidade a repasses ilícitos. O senador também citou investigações da Operação Carbono Oculto, que apuram se o Banco Master teria sido capitalizado com recursos provenientes de fraudes e do tráfico de drogas.

“Há fundadas suspeitas de que os R$ 129 milhões não representem receita operacional legítima, mas sim produto direto de lavagem de dinheiro”, afirma um trecho do requerimento apresentado à CPI.

O documento também destaca que o pagamento ao escritório teria sido tratado como prioridade absoluta pelo fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o que, segundo o relator, reforça indícios de tráfico de influência e exploração de prestígio.

Além do pedido de convocação, na semana passada os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Magno Malta (PL-ES) apresentaram um requerimento para a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Viviane Barci de Moraes.

O pedido abrange o período de 1º de janeiro de 2024 a 2026 e solicita acesso a movimentações financeiras, declarações fiscais, investimentos e registros em órgãos de controle, como a Receita Federal, o Banco Central e o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).