
O tabuleiro geopolítico da América Latina sofreu uma reviravolta nas últimas horas. O porta-aviões USS Gerald R. Ford, o maior e mais avançado da Marinha dos Estados Unidos, chegou ao Caribe acompanhado por destróieres, submarinos nucleares e caças F-35, no que já é considerado o maior deslocamento militar americano na região em 35 anos.
De acordo com o Departamento de Defesa dos EUA, a missão tem como objetivo “garantir a segurança marítima e combater o narcotráfico”, mas fontes diplomáticas e militares ouvidas pela Reuters e pelo Washington Post afirmam que a operação tem caráter estratégico, servindo como demonstração de força diante das tensões com a Venezuela.
O grupo de ataque do Gerald R. Ford reúne cerca de 5 mil militares, além de duas fragatas, três destróieres, um submarino da classe Virginia e 60 aeronaves. Fontes ligadas ao Comando Sul (Southcom) reconhecem que a movimentação também tem função dissuasória diante das “ameaças regionais emergentes”.
Em Caracas, a reação foi imediata. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, anunciou mobilização total das forças armadas e ativou baterias antiaéreas russas S-300 e radares chineses JY-27A. “Estamos preparados para qualquer provocação. A soberania da Venezuela não se negocia”, declarou.
O presidente Nicolás Maduro classificou a ação americana como um “ato de intimidação imperialista” e prometeu “resistência total” caso ocorra qualquer incursão. Segundo a AP News, a Venezuela chegou a suspender acordos energéticos com Trinidad e Tobago após navios de guerra dos EUA atracarem no porto local, a cerca de 400 km da costa venezuelana.
Com mais de 100 mil toneladas, propulsão nuclear dupla e catapultas eletromagnéticas, o Gerald R. Ford é o maior navio de guerra do mundo. O Pentágono afirma que a frota opera em águas internacionais, mas a menos de 500 km do litoral venezuelano.
Desde setembro, os EUA realizam operações navais contra o tráfico, que já resultaram em 19 embarcações abatidas e mais de 70 mortos. O avanço militar ocorre em meio a novas declarações de Donald Trump, que afirmou que “os dias de Maduro no poder estão contados”, acirrando ainda mais as tensões regionais.
De acordo com o Le Monde, o Exército venezuelano, fragilizado pela crise econômica, possui atualmente cerca de 120 mil soldados ativos e 220 mil milicianos civis, número inferior ao de uma década atrás.







