Manaus está entre as capitais brasileiras que concentram maior exposição a inundações e deslizamentos, segundo um levantamento do Observatório do Clima baseado em dados do AdaptaBrasil.

A classificação chama atenção para a necessidade de preparar a cidade para períodos de chuvas mais intensas e outros eventos extremos. O risco não está relacionado somente à quantidade de chuva, mas também à forma como o território é ocupado e à capacidade da estrutura pública de prevenir e responder às ocorrências.

No ranking das capitais com maior combinação dos dois riscos, Manaus aparece atrás de Salvador e Belém e à frente de Macapá. Outras capitais nordestinas também estão entre as dez cidades com maior vulnerabilidade, mostrando que o problema atinge diferentes regiões do país.

Em escala nacional, o quadro é ainda mais amplo. Mais de quatro em cada cinco municípios brasileiros apresentam vulnerabilidade média, alta ou muito alta a desastres geo-hidrológicos. Os dados utilizados pelo levantamento mostram que 1.513 municípios brasileiros possuem risco alto ou muito alto de inundações, enxurradas e alagamentos.

Quando o foco são os deslizamentos, o número de cidades classificadas nos níveis médio, alto ou muito alto chega a 2.930. Desse total, 1.041 municípios apresentam risco alto ou muito alto.

Em Manaus, a combinação desses fatores representa uma ameaça especialmente para áreas onde a ocupação urbana ocorreu sem infraestrutura suficiente para lidar com grandes volumes de água ou com a instabilidade do terreno.

O resultado pode ser agravado por problemas como deficiência na drenagem, ocupação de áreas inadequadas e ausência de obras capazes de conter processos erosivos e movimentações de solo.

O levantamento também evidencia a relação entre risco climático e desigualdade. As populações mais pobres tendem a estar mais expostas a áreas sujeitas a alagamentos e deslizamentos e, ao mesmo tempo, têm menos recursos para se proteger ou reconstruir suas casas depois de um desastre.

Por isso, especialistas defendem que a adaptação das cidades precisa sair do campo exclusivamente ambiental e integrar políticas de moradia, saneamento, infraestrutura e planejamento urbano.