
Brasil – A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) discursou e arrancou aplausos da multidão na Parada LGBT+, em São Paulo. A parlamentar, que apresentou projeto que põe fim à jornada 6×1, comemorou a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) na Câmara dos Deputados.
A PEC agora tramita no Senado e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), foi alvo de cobrança da parlamentar, de cima de um dos trios elétricos que desfila na Avenida Paulista. A Parada já reúne uma multidão desde o final da manhã deste domingo (7/6).
“A maior vitória da classe trabalhadora brasileiraveio das mãos dessa comunidade, veio das mãos de uma travesti preta, de uma bicha preta”, disse Erika Hilton. “Vamos usar a força da nossa comunidade para pressionar o Senado da República para destravar a PEC do fim da escala 6×1. Senador Davi Alcolumbre, o Brasil quer mais tempo, o Brasil quer descanso, o Brasil quer dignidade”, completou.
A deputada ainda aproveitou o discurso para pedir a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e criticar, sem mencionar nominalmente, o pré-candidato do PL à presidência, Flávio Bolsonaro. Em alusão ao áudio em que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) enviou a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, Hilton o chamou de “Bolsomaster”, apelido que tem sido usado pela base de Lula para se referir ao escândalo.
“Vamos enterrar o Bolsomaster. Vamos jogar essa gente no lixo da história”, afirmou a parlamentar depois de falar sobre a reeleição de Lula.
O tema deste ano é com o tema “Parada SP 30 anos: A rua convoca, a urna confirma”, incentivando a luta, coragem e ocupação nas ruas. O evento acontece sem a presença das principais autoridades de São Paulo, como o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Já o governo federal será representado pela ministra dos Direitos Humanos e Cidadania, Janine Mello.
Queda de patrocínios
A Parada ocorre em meio à queda de 60% dos patrocínios para o evento deste ano. Um vídeo da cantora Pabllo Vittar falando sobre o assunto viralizou no fim do mês passado. “A parada LGTQIAPN+, vulgo a maior parada LGBT do mundo, perdeu 60% dos patrocínios este ano. E tudo por conta dessa onda de conservadorismo que a gente vem vivendo”, diz Pabllo no vídeo.
Segundo Matheus Emílio, diretor da Parada LGBT+, a organização têm tido dificuldades em conseguir patrocinadores pelo reflexo das mudanças culturais que impactam pautas relacionadas à diversidade.
“O movimento chamado anti-woke que tem vindo dos Estados Unidos tem impactado nas empresas multinacionais que atuam aqui no Brasil. Elas não destinam verbas específicas para ações de diversidade. A gente tem acompanhado com bastante preocupação esse movimento”, destaca o diretor da Parada LGBT+. “Não somos e não podemos aceitar ser tratados como cidadãos de segunda classe. Por isso, a importância de um voto consciente e do nosso tema.”







