O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propôs na segunda-feira (1º) uma tarifa de 25% sobre uma ampla lista de produtos importados do Brasil.

A medida foi apresentada depois de uma investigação comercial concluir que o país adotou práticas consideradas desleais e prejudiciais a empresas norte-americanas. A decisão final sobre a aplicação da tarifa caberá a Trump.

A investigação

A apuração foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento que autoriza os EUA a aplicar tarifas e outras sanções contra práticas comerciais consideradas abusivas. O Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, afirmou que a investigação identificou falhas brasileiras na proteção da propriedade intelectual, no combate à corrupção e no acesso ao mercado de etanol. O governo norte-americano também citou fiscalização insuficiente das leis de combate ao desmatamento.

As exceções

A lista de produtos atingidos ainda terá exceções. Ficariam fora da tarifa itens como:

Carne bovina

Café

Metais de terras-raras

Equipamentos aeronáuticos

Algumas frutas e verduras

O prazo para negociação

O USTR marcou uma audiência pública sobre as medidas propostas para 6 de julho. O Brasil terá até 15 de julho para apresentar respostas às reclamações dos EUA. Greer disse que ele e Trump tiveram “várias reuniões construtivas” com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último ano, mas que ainda existem “diferenças substanciais” sobre os temas investigados.

O contexto político

A proposta foi apresentada depois de uma tentativa de reaproximação entre Lula e Trump. Os dois presidentes se reuniram em Washington em 7 de maio e trataram de tarifas, combate ao crime organizado e minerais críticos. Na sequência, o governo brasileiro recebeu um prazo de 30 dias para negociar com os EUA medidas comerciais.

O histórico de tarifas

A medida integra a tentativa de Trump de reconstruir sua política tarifária depois de derrotas judiciais nos EUA. O governo norte-americano passou a usar investigações específicas por país para embasar novas cobranças sobre importações. Em 2025, Trump impôs tarifa de 50% sobre importações brasileiras como forma de pressionar o Brasil a interromper o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado do republicano. Depois, os EUA reduziram parte das tarifas, e decisões judiciais limitaram o alcance das cobranças. Os Estados Unidos mantêm superavit comercial com o Brasil há uma década.