
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou, nesta quinta-feira (28), a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como “Terroristas Globais Especialmente Designados” (SDGTs) e informou a intenção de classificá-los também como “Organizações Terroristas Estrangeiras” (FTOs), medida que entra em vigor em 5 de junho.
A decisão foi divulgada um dia após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reunir com o secretário de Estado Marco Rubio em Washington.
Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiram com duras críticas à medida e ao senador.
Lindbergh Farias chama Bolsonaros de “traidores da Pátria”
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) classificou Flávio e o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) como “irresponsáveis” e “traidores da Pátria”. Em publicação na rede social X, ele afirmou que a classificação das facções pelo governo Donald Trump terá “consequências negativas para o Brasil, para a nossa economia, para os investimentos estrangeiros” e classificou a medida como “um ataque brutal” à soberania nacional.
“Eduardo e Flávio são irresponsáveis e não querem combater o crime organizado. Eles querem nos vulnerabilizar e abrir espaço para intervenção militar dos EUA no Brasil, querem fazer do Brasil colônia”, escreveu Lindbergh.
Lindbergh também afirmou que PCC e CV já vêm sendo combatidos pelo governo Lula, com operações da Polícia Federal e da Receita Federal para “asfixiar financeiramente” as organizações criminosas.
Paulo Teixeira fala em “dificuldade” para o Brasil
O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) afirmou que Flávio e Eduardo Bolsonaro “foram de novo apelar” aos Estados Unidos para apoiar uma medida que “dificulta” o Brasil.
“A classificação dificulta investimentos americanos no país e permite interferências do governo americano em assuntos de interesse das empresas brasileiras nos EUA”, declarou Teixeira, ex-ministro do Desenvolvimento Agrário.
Paulo Pimenta: “atentado contra a soberania brasileira”
O líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT-RS), disse que a decisão é um “atentado contra a soberania brasileira” e um “precedente perigoso cujas consequências ainda desconhecemos”. Ele lembrou que os EUA se valeram do mesmo expediente para interferir economicamente no México e na Venezuela.
Pimenta também refutou a classificação de PCC e CV como organizações terroristas, argumentando que as facções não têm projeto de tomada de poder.
“Se de fato houve uma participação [de Flávio Bolsonaro], foi um ato de traição à soberania nacional”, afirmou.
O governo Lula minimiza impacto eleitoral
Embora aliados digam não temer necessariamente impacto eleitoral, há avaliação de que a decisão possa trazer impactos econômicos para o Brasil. Outros aliados, no entanto, minimizam o impacto do encontro de Flávio na decisão americana, afirmando que a possibilidade de classificação já era discutida desde o ano passado.
A medida dos EUA
Em comunicado assinado pelo secretário de Estado Marco Rubio, o governo Trump descreve PCC e CV como “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil” e afirma que a atuação dos grupos ultrapassa as fronteiras brasileiras, alcançando outros países da região e os próprios Estados Unidos.
A medida foi anunciada dois dias após a visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca, onde o senador afirmou ter pedido a designação das facções como grupos terroristas.







