
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, encaminhou nesta terça-feira (26) à Procuradoria-Geral da República um pedido para que o senador Flávio Bolsonaro e o ex-presidente Jair Bolsonaro sejam incluídos nas investigações sobre a suposta coação praticada pelo deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro contra ministros da Corte.
O requerimento, apresentado inicialmente pelo deputado Lindbergh Farias, também solicita a ampliação do inquérito para apurar um possível desvio de recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master, destinados à produção de um filme sobre a trajetória política do ex-presidente.
“A apuração específica da hipótese de que valores formalmente destinados ao filme tenham sido desviados, total ou parcialmente, para financiar a campanha internacional de sanções, restrições de vistos, tarifas e coação contra autoridades brasileiras”, justificou o ministro no documento encaminhado à PGR.
A suspeita central é que os R$ 134 milhões negociados por Flávio Bolsonaro com Vorcaro tenham servido, “total ou parcialmente”, para financiar uma ofensiva internacional liderada por Eduardo Bolsonaro após o julgamento do pai pela tentativa de golpe de Estado. Desse montante, R$ 61 milhões teriam sido efetivamente pagos.
Cooperação internacional e provas no exterior
Moraes também autorizou a abertura de cooperação jurídica com os Estados Unidos para acessar registros financeiros, contratos, documentos societários e fiscais, além de eventuais registros migratórios e de lobby relacionados à produção.
A apuração inclui possíveis pagamentos a consultores, empresas, escritórios ou intermediários no exterior.
O inquérito também investigará possíveis crimes de lavagem de dinheiro, financiamento eleitoral irregular, propaganda eleitoral dissimulada, caixa paralelo, organização criminosa, coação no processo e atentado à soberania nacional.
Propaganda eleitoral e cronograma
Na representação apresentada, Lindbergh Farias citou indícios de que o filme seria, na prática, uma peça de propaganda eleitoral, com lançamento previsto para meados de setembro — período considerado sensível para a campanha —, retratando Jair Bolsonaro como uma “personagem messiânica”.
Defesa de Flávio e posicionamento do PL
Flávio Bolsonaro afirmou anteriormente, em nota, que conheceu Vorcaro no fim de 2024, antes da existência de uma investigação formal contra o banqueiro, e que o procurou em caráter privado para investir na produção do filme.
O senador também admitiu ter visitado Vorcaro após sua saída da prisão, quando ele ainda utilizava tornozeleira eletrônica, para “encerrar o contrato”.
Nesta segunda-feira (25), o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, reforçou a justificativa do senador, classificou o pedido de recursos como natural e afirmou que o partido segue confiante em sua candidatura.
Próximos passos
Agora, a PGR deverá se manifestar sobre a inclusão dos novos investigados e sobre a ampliação do inquérito. Caso o parecer seja favorável, Moraes poderá autorizar a continuidade das apurações, incluindo as medidas de cooperação internacional solicitadas.







