O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse nesta terça-feira (19) que a “magnitude e rapidez” com que o surto de ebola se propaga na República Democrática do Congo é alarmante, com mais de 500 casos suspeitos e 130 mortes que também se acredita estarem vinculadas à transmissão do vírus.

O chefe da organização anunciou que convocou o Comitê de Emergência, um grupo internacional de especialistas que assessora a OMS, que se reunirá ao longo do dia e formulará recomendações para conter este surto.

No último domingo (17), pela primeira vez, um diretor da OMS declarou uma emergência de saúde pública de importância internacional sem ter reunido antes o Comitê de Emergência, o que se tornou possível após as mudanças realizadas no Regulamento Sanitário Internacional depois da pandemia de Covid-19, com o objetivo de agilizar as medidas e a coordenação internacional.

Em um pronunciamento no segundo dia da Assembleia Mundial da Saúde, realizada em Genebra, Tedros alertou que os números atuais “vão mudar” à medida que a vigilância sanitária, o rastreamento de casos e os testes laboratoriais forem expandidos.

Os casos foram relatados principalmente em centros urbanos, como Bunia, a capital da província norte-oriental de Ituri, na República Democrática do Congo; e na capital de Uganda, Kampala; onde houve dois casos, incluindo uma morte, relacionados com o surto no país vizinho. Além disso, foram registrados óbitos entre o pessoal médico, o que indica que houve transmissão dentro dos centros de saúde.

O diretor da OMS ressaltou que a gravidade deste surto está relacionada com a forte mobilidade na região, por um lado devido ao conflito armado local, que força a população a se deslocar, bem como pela atividade mineradora, com pessoas que entram e saem, aumentando o risco de propagação que isso implica.

– A província de Ituri é altamente insegura, o conflito se intensificou desde o final de 2025 e os combates aumentaram fortemente nos últimos dois meses, o que resultou em muitas mortes civis. Mais de 100 mil pessoas se transformaram em novos deslocados e, no caso de um surto de ebola, sabemos o que isso significa – assinalou.

A organização global conta com uma equipe em campo que está prestando apoio às autoridades nacionais para responder à situação, além dos insumos e equipamentos que enviou. O atual surto epidêmico na República Democrática do Congo tem a particularidade de ser causado pelo vírus Bundibugyo, uma espécie do vírus do ebola para a qual não existem vacinas nem tratamentos.