O juiz responsável pela custódia de Adélio Bispo, autor do atentado contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2018, negou haver irregularidades na execução da medida de segurança aplicada ao homem que esfaqueou o líder conservador.

A manifestação ocorreu após a defesa apontar falhas no cálculo do tempo da sanção, cujo prazo de 20 anos determinado pela Justiça não teria sido lançado no sistema.

Em resposta à Corregedoria, o magistrado afirmou que a decisão que fixou o prazo da medida até 2038 foi devidamente registrada, mas explicou que o sistema utilizado pelo Judiciário possui limitações técnicas, permitindo o lançamento de períodos máximos de apenas 24 meses. Segundo ele, os cálculos completos vêm sendo feitos de forma paralela, fora do sistema, para evitar prejuízos a Adélio.

Apesar da controvérsia, a situação de Bispo permanece inalterada. Ele está detido na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS). Paralelamente, um novo laudo médico apontou agravamento no estado de saúde mental de Adélio, diagnosticado com esquizofrenia paranoide. O documento indica que ele apresenta delírios, alucinações frequentes e não reconhece a própria condição.

Os peritos descrevem um quadro crônico, com prejuízo significativo da percepção da realidade e isolamento social. Entre os episódios relatados, Adélio chegou a mencionar a ideia de formar uma chapa presidencial com o apresentador William Bonner, evidenciando o grau de desorganização mental.

Os especialistas apontam que ele ainda apresenta periculosidade e não tem condições de conviver em sociedade sem medidas de segurança.