
O Governo Lula mudou a estratégia para falar com a população e passou a investir pesado nas redes sociais. Desde 2025, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) já pagou cerca de R$ 2 milhões em cachês para artistas e influenciadores digitais.
Os dados foram obtidos pela Folha de S. Paulo por meio da Lei de Acesso à Informação, após uma decisão da Controladoria-Geral da União (CGU) que obrigou o governo a abrir as contas.
A mudança de postura acontece sob o comando de Sidônio Palmeira na Secom. Se antes o governo afirmava não pagar influenciadores, hoje a aposta é clara: mais de 30% da verba de propaganda da União agora vai para o mundo digital.
Quem recebeu os maiores valores?
O dinheiro foi usado para divulgar programas como o “Celular Seguro”, o “Pix” e campanhas de vacinação do Ministério da Saúde. Confira os destaques:
Dira Paes: A atriz recebeu o maior cachê individual, no valor de R$ 470 mil. Ela foi o rosto da campanha do aplicativo Celular Seguro em rádio, TV e internet.
Milton Cunha: O carnavalesco recebeu R$ 310 mil para promover o programa “Agora Tem Especialistas”, do SUS. A participação, inclusive, causou o seu afastamento de um quadro na TV Globo no Rio de Janeiro.
Matheus Buente: Entre os influenciadores focados exclusivamente em redes sociais, o professor e comediante lidera a lista com R$ 124,9 mil para explicar temas como a saída do Brasil do Mapa da Fome.
A estratégia por trás dos pagamentos
Segundo a Secom, contratar essas personalidades é uma forma de acompanhar os novos hábitos dos brasileiros, que passam cada vez mais tempo navegando no Instagram, TikTok e YouTube. O objetivo é usar uma “linguagem mais simples e próxima” das pessoas para explicar direitos e serviços públicos.
Para organizar essa fila, o governo criou o Midiacad, um sistema onde os produtores de conteúdo se cadastram, mostram quantos seguidores têm e o quanto as pessoas interagem com eles para poderem receber anúncios federais.
Ranking dos maiores cachês (desde 2025)
Nome Valor
Dira Paes (Atriz) R$ 470.000
Milton Cunha (Carnavalesco) R$ 310.000
Matheus Buente (Influenciador) R$ 124.980
Morgana Camila (Influenciadora) R$ 119.250
Vitor diCastro (Influenciador) R$ 90.000
Rodrigo Góes (Influenciador) R$ 50.000
Parcerias com “Big Techs”
Nem todo mundo recebeu dinheiro direto do governo. Alguns nomes, como o apresentador João Kleber, participaram de campanhas por meio de parcerias com plataformas como o Kwai. A empresa recebeu R$ 19,5 milhões em anúncios do governo e, em troca, ofereceu a participação de seus contratados em propagandas como o “Teste de Fidelidade ao Brasil”.
O que dizem os citados?
A maioria dos influenciadores afirma que os valores estão dentro do que o mercado cobra e que tiveram liberdade para criar os conteúdos. Eles defendem que o trabalho não é para promover o presidente, mas sim para garantir que informações sobre saúde e economia cheguem a quem precisa.
A prática de contratar influenciadores não é exclusiva deste governo: a gestão de Jair Bolsonaro também gastou cerca de R$ 670 mil (em valores corrigidos) com influenciadores entre 2019 e 2021, mas parou após polêmicas sobre a divulgação do chamado “tratamento precoce” contra a Covid-19.







