
O preço do diesel no Brasil atingiu R$ 7,22 em média nesta quarta-feira (19), segundo levantamento da empresa TruckPag, especializada em gestão de frotas. O valor representa uma alta de quase R$ 1,50 em menos de um mês, comparado ao início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro, quando o preço médio era de R$ 5,74.
O estudo da TruckPag analisou mais de 143 mil transações em 4.664 postos, sendo 94% deles localizados em rodovias. Cerca de 82% das compras foram feitas por caminhões. Os dados mostram que a alta tem ocorrido de forma acelerada, acima do índice registrado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que apontou aumento de 11% na semana anterior.
Segundo Kassio Seefeld, CEO da TruckPag, “num choque como esse, em que os preços subiram quase 1% ao dia, a janela de atraso da ANP é significativa”. Ele acrescenta que o impacto varia entre regiões:
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Norte: Tocantins registrou alta de 37,1%
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Nordeste: Piauí teve aumento de 28%
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Centro-Oeste: Goiás, 29,2%
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Sudeste: São Paulo, 27%
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Sul: Santa Catarina, 29,9%
O aumento ocorre apesar do pacote anunciado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, em 12 de março, que zerou PIS/Cofins sobre o diesel e concedeu subvenção de R$ 0,32 por litro para produtores e importadores, com impacto total estimado em R$ 30 bilhões até o fim de 2026.
A medida visa reduzir o impacto da disparada internacional do combustível, mas, segundo especialistas, o mercado brasileiro segue vulnerável à alta externa, já que 30% do diesel consumido no país é importado.
“Quando o barril de petróleo sobe 80% em 20 dias, o diesel chega mais caro ao porto, a distribuidora não consegue absorver o custo, e o repasse vai para o posto e, depois, para o transportador”, explicou Seefeld, destacando a pressão sobre toda a cadeia logística e de transporte.







