
Após a prisão da ex-chefe de gabinete do prefeito David Almeida, durante a Operação Erga Omnes, uma fotografia divulgada nas redes sociais expôs a proximidade entre Anabela Cardoso e a primeira-dama Isabelle Fontenelle. Anabela está entre os alvos da ação da Polícia Civil do Amazonas, que investiga uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e violação de sigilo funcional, com ramificações em diversos Estados.
A imagem foi revelada pela advogada Rafaela Torres e publicada pela própria Anabela, que aparece ao lado da primeira-dama em um evento. Na legenda, a então chefe de gabinete escreveu: “Minha princesa”.
A operação teve apoio integrado das forças de segurança do Ceará, Maranhão, Minas Gerais, Pará, São Paulo e Piauí, devido ao caráter interestadual das movimentações financeiras identificadas. As investigações apontam a existência de um grupo estruturado para lavar dinheiro do tráfico de drogas, especialmente na região de fronteira.
Em coletiva, o delegado Alessandro Albino, diretor do Departamento de Polícia Metropolitana, afirmou que o foco principal foi desarticular o esquema de lavagem de dinheiro e tráfico com envolvimento de servidores públicos. As apurações começaram em agosto do ano passado e indicaram a infiltração do crime organizado em setores da administração pública.
A investigação também identificou a participação de ex-assessores com atuação na advocacia e servidores lotados em áreas estratégicas, que facilitariam o trânsito da organização em diferentes órgãos. Segundo a polícia, alguns agentes atuavam oferecendo suporte logístico, acesso institucional e informações sigilosas.
Outro ponto revelado foi que o líder do grupo se apresentava como evangélico e atuava em uma igreja no bairro Zumbi dos Palmares, na zona leste de Manaus. Igrejas estariam sendo usadas como forma de camuflagem social para dificultar a identificação das atividades criminosas.
Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicaram movimentações atípicas de alto valor feitas por servidores investigados, reforçando indícios de colaboração com o esquema.
A defesa de Anabela Cardoso informou, por meio de nota, que ela não possui qualquer vínculo com organizações criminosas ou com os demais investigados. Segundo o advogado, Anabela é advogada e servidora pública concursada há quase 20 anos como policial civil, sem antecedentes criminais. A defesa afirma ainda que os esclarecimentos prestados se referem apenas à compra de passagens aéreas para fins pessoais em uma agência de viagens local e que ela só tomou conhecimento da investigação ao ser citada na operação.








