A crise política na capital amazonense atingiu um novo patamar de gravidade. A oposição protocolou na Câmara Municipal de Manaus (CMM) um pedido formal de impeachment contra o Prefeito David Almeida (Avante), fundamentado em áudios e relatórios de inteligência que sugerem uma aliança espúria entre sua gestão e a facção criminosa Comando Vermelho (CV).

O documento, de autoria do Advogado Leôncio Paes de Carvalho, baseia-se em um dossiê elaborado pela Secretaria de Segurança Pública. O relatório aponta que, durante a campanha de 2020, teriam sido destinados cerca de R$ 70 mil a integrantes da facção em troca de apoio em comunidades dominadas pelo tráfico.

As investigações revelam conversas via WhatsApp entre líderes do CV e assessores ligados ao núcleo político do prefeito. Nos áudios, criminosos orientam votos em David Almeida e mencionam acordos para a realização de obras de infraestrutura e regularização de áreas invadidas em troca do apoio eleitoral. Confira o áudio logo abaixo:

As imagens e mensagens interceptadas indicam que as tratativas eram frequentes e envolviam promessas de melhorias em comunidades como contrapartida ao “voto de cabresto” imposto pela facção. O pedido de impeachment classifica essas ações como “tratativas antirrepublicanas” e crime de responsabilidade, ferindo frontalmente a dignidade do cargo e a segurança pública.

O pedido de impeachment ganha força no mesmo dia em que a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) deflagrou a Operação “Erga Omnes”, que resultou na prisão de Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe de gabinete de David Almeida. Ela é apontada como peça-chave no “núcleo político” da facção dentro da prefeitura, reforçando a tese de que o crime organizado possui ramificações profundas na atual gestão.

O clima na Câmara Municipal de Manaus (CMM) é de extrema tensão. Vereadores da oposição afirmam que o conjunto probatório, que une o dossiê da inteligência, os áudios vazados e as prisões recentes, torna a permanência de David Almeida no cargo insustentável.

Em manifestações anteriores, o Prefeito David Almeida negou qualquer envolvimento com facções criminosas e afirmou ser vítima de perseguição política. A prefeitura chegou a apresentar uma denúncia na Polícia Federal (PF) contra a circulação dos áudios, alegando que seriam montagens ou manipulações para prejudicar sua imagem. No entanto, o avanço das investigações policiais e a robustez do dossiê de inteligência colocam a defesa em uma posição delicada.

A Câmara Municipal de Manaus (CMM) deve agora decidir se acolhe ou arquiva o pedido de impeachment. Se aceito, David Almeida enfrentará um processo de cassação que pode mudar o rumo da política no Amazonas às vésperas de novos ciclos eleitorais.