Um estudo publicado na renomada revista científica The Lancet revela que 43,2% das mortes por câncer no Brasil, o que equivale a cerca de 109,4 mil óbitos anuais, poderiam ser evitadas. A pesquisa, que analisou 35 tipos de câncer em 185 países, aponta que essas mortes evitáveis se dividem em duas categorias: 65,2 mil mortes poderiam ser prevenidas antes mesmo de a doença se manifestar, e outras 44,2 mil poderiam ser evitadas com diagnóstico precoce e acesso adequado ao tratamento.

Em termos globais, o estudo estima que 47,6% das mortes por câncer no mundo são evitáveis, representando quase 4,5 milhões de óbitos que poderiam não ter ocorrido. A pesquisa, assinada por 12 autores, muitos deles ligados à Agência Internacional para Pesquisa em Câncer (Iarc), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), destaca que um terço das mortes globais (33,2%) é prevenível e 14,4% poderiam ser evitadas com diagnóstico e tratamento oportunos.

Disparidades globais e por IDH

O levantamento evidencia grandes disparidades entre países e regiões. Enquanto países do norte da Europa, como a Suécia (28,1%), apresentam baixos índices de mortes evitáveis, nações africanas lideram as estatísticas. Serra Leoa, por exemplo, registra 72,8% de mortes evitáveis por câncer.

As desigualdades também se manifestam quando os países são agrupados pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Em nações com baixo IDH, 60,8% das mortes por câncer poderiam ser evitadas. O Brasil, classificado como país de IDH alto, apresenta um índice de 43,8% de mortes evitáveis, similar à média da América do Sul (43,8%).

O câncer de colo de útero é apontado como o principal causador de mortes evitáveis em países com baixo e médio IDH, diferentemente de países com IDH alto e muito alto, onde ele não figura entre os cinco primeiros. A taxa de mortalidade por câncer de colo de útero em países de IDH baixo é mais de quatro vezes superior à encontrada em países de IDH muito alto.

Principais tipos de câncer e caminhos para a prevenção

O estudo indica que 59,1% das mortes evitáveis por câncer estão relacionadas aos tipos de pulmão, fígado, estômago, colorretal e colo de útero. O câncer de pulmão lidera as mortes preveníveis, enquanto o câncer de mama se destaca entre as mortes tratáveis, onde o diagnóstico precoce e o acesso ao tratamento adequado poderiam salvar vidas.

Os pesquisadores sugerem diversas estratégias para reduzir esses números, incluindo campanhas contra o tabagismo e o consumo de álcool, políticas de controle de peso, regulamentação da publicidade e taxação de alimentos não saudáveis, além da prevenção de infecções associadas ao câncer, como o HPV.

Metas globais da OMS, como o diagnóstico de pelo menos 60% dos cânceres de mama nos estágios iniciais e o acesso a diagnóstico em até 60 dias, são enfatizadas como cruciais. O estudo conclui com um chamado a esforços globais para combater as desigualdades no combate ao câncer, especialmente em países com IDH baixo e médio. No Brasil, o Ministério da Saúde e o Inca promovem ações contínuas de prevenção e diagnóstico precoce.

Com informações da Agência Brasil