O Galinho de Brasília, bloco que há 34 anos mantém viva a tradição do frevo pernambucano no carnaval da capital, lança em 2026 o tema “Galinho na Copa: Frevando rumo ao Hexa”. O objetivo é resgatar a paixão antiga do brasileiro pelo futebol, combinando a energia contagiante do frevo com o fervor das copas.

O bloco, que já reuniu mais de 100 mil pessoas em edições passadas, desfilou pelas ruas de Brasília embalado pelas orquestras Marafreboi, sob a regência do maestro Fabiano Medeiros, e a Orquestra do Galinho, liderada pelo maestro Ronald Albuquerque.

A riqueza do frevo pernambucano foi destacada por Damísia Lima, servidora pública de 52 anos, que ressaltou a complexidade e a necessidade de bons músicos para executar o ritmo. “São muitos os tipos de frevo inventados em Pernambuco. É um ritmo tão rico que não é possível ser tocado por qualquer bandinha”, explicou.

Sotaque, refúgio e tradição

Natural de Olinda, Damísia considera o Galinho de Brasília um refúgio que a ajuda a manter suas raízes culturais e o sotaque longe de Pernambuco. “Nós pernambucanos temos muito orgulho de nossa cultura e de nossa música. Meu maior medo era perder meu sotaque. Graças a Deus o mantenho até hoje”, afirmou.

Sérgio Brasiel, diretor administrativo do bloco, explicou a proposta de resgatar a essência do carnaval de Pernambuco e a escolha do tema futebolístico. “Nossa proposta aqui é a de resgatar a essência do carnaval de Pernambuco. E, como 2026 é ano de Copa do Mundo, aproveitamos para trazer de volta a paixão antiga que o brasileiro tem pelo futebol”, disse.

Brasiel também comentou os desafios da organização do evento, especialmente devido à burocracia, que muitas vezes limita o tempo de preparo. “O ideal era termos de três a quatro meses para nos dedicar à organização, mas acabamos fazendo isso em apenas 15 dias por conta dessa burocracia”, relatou, mas celebrou a alegria dos foliões.

Experiência carnavalesca e segurança

A professora Célia Varejão, que também tem forte ligação com o carnaval de Olinda, elogiou a popularidade do carnaval e criticou os altos preços em eventos esportivos. “Adoro as coisas populares, tanto no carnaval como no futebol. São duas coisas que, se deixam de ser populares, perdem sua essência”, declarou.

A tranquilidade e a segurança do carnaval em Brasília foram pontos altos para os foliões. Damísia Lima, inclusive, prefere a organização do Galinho de Brasília à do Galo da Madrugada em Pernambuco. “Em Pernambuco é gente demais. Acho que, por ter menos gente, o Galinho de Brasília me possibilita curtir mais a festa”, argumentou.

O servidor público Benedito Cruz Gomes, 47, que frequenta o bloco há 30 anos, destacou o caráter familiar da folia brasiliense. “Carnaval é coisa de família; um espaço livre para brincadeiras”, disse, acompanhado de sua esposa e filhas.

Guilherme Fontes, produtor de café de Viçosa (MG), que conheceu as primeiras edições do bloco, também elogiou o ambiente tranquilo e familiar. O engenheiro Alex França, de Caruaru (PE), notou a evolução na estrutura e segurança do Galinho de Brasília ao longo dos anos, o que, segundo ele, motiva mais pessoas a participarem.

34 anos de história

Fundado em 1992 por pernambucanos radicados no Distrito Federal, o Galinho de Brasília surgiu como uma alternativa para quem não pôde viajar para o carnaval de Pernambuco, especialmente devido a um contexto econômico adverso na época. A experiência foi tão marcante que levou à fundação do Grêmio Recreativo da Expressão Nordestina – GREN Galinho de Brasília, com o objetivo de preservar e difundir as tradições culturais nordestinas na capital federal.

Com informações da Agência Brasil