
Com o espírito do carnavalesco Joãozinho da Vila, falecido em 2017, a Praça Zé Ramalho, na Vila Planalto, em Brasília, se tornou palco de uma resistência cultural neste domingo de carnaval. O Bloco Charrete, conhecido por seus ritmos do Norte e Nordeste, atraiu foliões que buscam manter viva a alegria em um dos bairros históricos do Distrito Federal.
A missão do Charrete é dar continuidade ao legado do bloco Vilões da Vila, fundado por Joãozinho. Após a morte do carnavalesco, a Vila Planalto, bairro onde viveram os operários que construíram Brasília, ficou dois anos sem festividades carnavalescas. O silêncio foi quebrado em 2019, com a fundação do Charrete, resultado da união dos grupos Fanfarra Tropicaos e Charretinha do Forró, liderada pelo produtor Thiago Faniz.
“A Vila Planalto é um dos territórios de maior patrimônio histórico do Distrito Federal. Procuramos manter acesa a chama do carnaval nessa região, sempre com as bênçãos de Joãozinho da Vila”, explica Thiago Faniz, ressaltando que obteve autorização dos remanescentes do Vilões da Vila antes de fundar o novo bloco.
Diversidade musical e clima de interior
Ao contrário de outros blocos, o Charrete aposta em uma mistura de ritmos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A banda Charretinha do Forró embala o público com forró e outros ritmos nordestinos, enquanto a Fanfarra Tropicaos mescla músicas populares com marchas carnavalescas tradicionais. DJs e coletivos culturais locais também se apresentam, com estilos que vão do reggae ao tecnobrega.
O bloco atrai um público que busca uma folia mais tradicional e menos massificada, remetendo ao clima de carnaval de cidades do interior. “A Vila Planalto remete a um povoado do interior, e o carnaval aqui acaba refletindo esse clima de folia de rua de cidade pequena”, comenta Monique Menezes, 48 anos, autônoma que se veste de leoa para curtir a festa.
Resistência e mensagem política
A proximidade com a Praça dos Três Poderes confere ao carnaval da Vila Planalto um caráter político. Durante o desfile, foliões exibiram bandeiras da Palestina e estandartes feministas, condenando o assédio e a violência contra a mulher. Adesivos contra a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e em defesa da soberania nacional diante de políticas tarifárias internacionais também foram distribuídos.
Os frequentadores do bloco veem o carnaval como um espaço para expressar mensagens importantes. “Por definição, o carnaval é político. É um ato de resistência, só que por meio da alegria. Precisamos sorrir, cantar, dançar”, defende Monique. Álvaro Peres, bancário de 36 anos, concorda: “O sistema atual é construído para a gente se frustrar. O carnaval é uma brecha para se divertir e voltar à rotina de forma mais descansada”.
Com informações da Agência Brasil







