Com 11 anos de história, o Bloco do Amor se consolidou como uma das celebrações mais emblemáticas do carnaval de Brasília, reunindo milhares de pessoas em torno de manifestos político-poéticos de respeito, diversidade e afeto coletivo. Neste ano, o bloco ocupou os arredores da Biblioteca e do Museu Nacional, atraindo um público estimado em quase 70 mil pessoas, segundo os organizadores.

Fundado em 2015, o Bloco do Amor nasceu com o propósito de transformar o centro da capital em um palco de celebração da pluralidade. A edição de 2026 trouxe o lema “Sonhar como Ato de Existência”, propondo que o sonho e a alegria sejam ferramentas de resistência e transformação social. O bloco se destaca por ser um território livre de preconceitos, acolhendo a comunidade LGBTQIAPN+ e promovendo a folia de forma respeitosa.

Diversidade de ritmos e públicos

A diversidade é um dos pilares do Bloco do Amor, refletida não apenas no público, mas também na variedade de ritmos que animam os foliões. “A diversidade está presente, inclusive, na variedade de ritmos que empurram os foliões, indo do axé retrô ao eletrônico, passando pela música pop, MPB e pelo forró”, explicou à Agência Brasil a coordenadora geral do Bloco do Amor, Letícia Helena.

Letícia Helena, produtora cultural e cantora, conta que o bloco surgiu da “necessidade de discutirmos o amor nesta cidade; o que queremos e o que somos, de forma a trazer mais representatividade para os espaços”. Inicialmente realizado na Via S2 do Plano Piloto, o bloco cresceu e mudou para a área externa do Museu Nacional.

Avanços na segurança e no respeito

Ao longo de 11 anos, o Bloco do Amor tem utilizado a comunicação para disseminar mensagens sobre aceitação e bom convívio na diversidade. “Percebemos, ao longo desses anos, muitas coisas melhorando. Isso está nas estatísticas. Para você ter uma ideia, o número de casos de assédio eram muito grandes no começo. Mas em 2024 conseguimos fazer uma festa que, segundo a Secretaria de Segurança Pública, zerou a quantidade de registros de violência e assédio contra mulheres”, comemora a coordenadora.

A produtora destaca o trabalho de preparação da equipe e os protocolos de segurança como fatores essenciais para esse avanço. “Temos até protocolos indicando como agir nas mais diversas situações”, afirma.

Experiências de foliões

O público presente no Bloco do Amor compartilha a percepção de um ambiente seguro e acolhedor. Fernando Franq, 34, e Ana Flávia Garcia, 53, descrevem o bloco como um “ambiente com o qual nos identificamos, de muita arte e com muitos artistas. Um lugar seguro para a comunidade LGBT, organizado por amigos que também estão em nossos corações”.

Clarisse Pontes, 22, que participa pela primeira vez de um bloco de carnaval, busca “muita paz e curtição” no Bloco do Amor, associado à aceitação e respeito à diversidade. “Penso que, como disseram aqui, os espaços de Brasília são de todos, com todos, para todos. Que a gente tenha um carnaval de muita diversidade e respeito.”, declara.

Alasca Ricarte, 23, estudante de design, vê o carnaval como uma oportunidade para as pessoas se mostrarem de forma mais verdadeira. “O que mais agrada aqui é isso: ser livre como quero, ser aceito e aceitar a todos como todos são”, diz. Ele lamenta que, apesar dos avanços, ainda existam forças conservadoras e preconceituosas em Brasília que tentam minar a liberdade que o carnaval representa.

Ana Luíza, 25, estudante, escolheu o Bloco do Amor em busca de um carnaval onde homens e mulheres se respeitam. “Vi muito, em outros blocos, mulheres sendo desrespeitadas por homens. A meu ver, carnaval, para ser bom, tem de ser curtido com respeito à liberdade”, afirma.

Ricardo Maurício, 41, acompanhado da esposa e da filha de 7 anos, ressalta a importância de conversar sobre diversidade com a família. “Sempre trabalhei esse tema da diversidade com a minha família, até porque temos uma família diversa. Respeitamos diferenças e vivemos na diversidade de um mundo que é grande e diverso. Quero que minha filha saiba disso, e que compreenda a riqueza das diferenças.”, complementa.

Com informações da Agência Brasil