O nível de corrupção no setor público segue elevado no Brasil, e com pouca perspectiva de mudança, segundo o Índice de Percepção da Corrupção (IPC) divulgado nesta terça-feira, 10/02, pela ONG Transparência Internacional.

Em 2025, o país obteve 35 pontos no índice que varia de zero a 100, sendo que, quanto mais próximo do zero, maior a percepção de corrupção. Com a pontuação obtida no ano passado, o Brasil se colocou na 107ª posição em um ranking que envolve 182 países, mantendo sua pior posição.

No topo do ranking, com 89 pontos, aparece a Dinamarca. No outro extremo, Somália e Sudão do Sul, empatados com 9 pontos. O Brasil se coloca entre um enorme grupo de países em que o IPC ficou abaixo da média global, de 42 pontos.

Desde 2012, início da série do IPC, o Brasil oscila dentro de uma faixa restrita, o que, segundo a ONG, aponta “fragilidade institucional, baixa efetividade dos mecanismos de integridade e dificuldades persistentes de controle da corrupção no setor público.”

Na série histórica, o Brasil pontuou melhor em 2012 e 2014 (com 43 pontos). A pior pontuação foi registrada em 2024 (34 pontos). Desde 2015, o Brasil está estagnado abaixo da média global.

Em 2025, a média global do IPC caiu pela primeira vez em mais de uma década (42 pontos). A vasta maioria dos países não conseguiu controlar o avanço da corrupção: de um total de 182 avaliações, 122 alcançaram menos de 50 pontos no índice.

Paralelamente, o número de países que lograram uma pontuação acima de 80 diminuiu, caindo de 12 para cinco em apenas uma década.

Corrupção enraizada no Brasil

No relatório em que trata especificamente sobre o Brasil, a Transparência Internacional destaca a penetração do crime organizado no sistema financeiro e no Estado, chamando atenção para os casos do Banco Master – com a relação próxima de Daniel Vorcaro, controlador do banco, com autoridades políticas e judiciárias -, e do vácuo regulatório envolvendo fintechs, usadas para lavar dinheiro do crime.

O documento recorda como o centrão ganhou força “sequestrando o erário por meio do orçamento secreto e da expansão voraz das emendas”, um problema que envolve a falta de transparência com recursos públicos e que se mantém, irradiando-se por assembleias estaduais e câmaras municipais.

Em 2025, o Executivo federal pagou R$ 31,5 bilhões em emendas parlamentares. Para 2026, o orçamento aprovado pelo Congresso prevê R$ 61 bilhões para esse fim.

A ONG também chama atenção para as tentativas de o Legislativo alterar a Lei da Ficha Limpa, para o “silêncio” do governo federal sobre temas envolvendo corrupção e para “privilégios inconstitucionais e imorais” no sistema de Justiça, com a normalização de supersalários e penduricalhos.