
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu na segunda-feira (9) um alerta sobre o uso de canetas para tratamento de obesidade e diabete sem acompanhamento médico, assim como para indicações não aprovadas nas bulas. O órgão informou que o Brasil tem seis casos de mortes por pancreatite sob investigação e mais de 200 ocorrências de problemas no pâncreas associadas ao uso desses medicamentos.
O documento cita um aumento nas notificações de pancreatite relacionadas a medicamentos como Ozempic, Saxenda e Mounjaro, incluindo todas as canetas que contenham semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida, registradas no país.
Alerta segue casos reportados no Reino Unido, onde a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) registrou 19 mortes associadas ao uso dessas canetas. Segundo a MHRA, os casos são considerados incomuns e raros, mas graves, incluindo pancreatite necrosante e fatal.
No Brasil, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de eventos adversos relacionados aos medicamentos, incluindo seis suspeitas de óbito. “Embora a pancreatite já esteja descrita como reação adversa na bula, houve um aumento recente de notificações, e as canetas devem ser usadas exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sempre com prescrição e acompanhamento de profissional habilitado”, alertou a Anvisa.
Em junho de 2025, a Anvisa determinou que farmácias e drogarias passassem a reter a receita desses medicamentos, segundo a RDC nº 973/2025 e a IN nº 360/2025. Desde então, a prescrição passou a ser feita em duas vias, com validade de até 90 dias, e a venda só pode ocorrer mediante retenção da receita, como acontece com antibióticos.
A agência ressaltou que o uso fora das indicações autorizadas, especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica, aumenta o risco de efeitos adversos e dificulta o diagnóstico precoce de complicações graves.
A Anvisa recomenda que usuários desses medicamentos procurem atendimento médico imediato em caso de dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos, sintomas sugestivos de pancreatite. Profissionais de saúde devem interromper o tratamento se houver suspeita da reação e não prosseguir com o uso caso o diagnóstico seja confirmado.
O órgão reforçou a importância da notificação de eventos adversos no VigiMed, contribuindo para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos, que estão disponíveis no mercado brasileiro há pouco mais de cinco anos.
Confira o comunicado da Anvisa:
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta de farmacovigilância para ressaltar os riscos do uso indevido de medicamentos agonistas do receptor GLP‑1 — classe que inclui a dulaglutida, a liraglutida, a semaglutida e a tirzepatida. Embora o risco já conste nas bulas aprovadas no Brasil, as notificações têm aumentado no cenário internacional e nacional, o que exige reforço das orientações de segurança.
Conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado.
O devido monitoramento médico é motivado justamente pelo risco de eventos adversos graves, como pancreatite aguda, que podem incluir formas necrotizantes e fatais. Apesar do alerta, não houve mudança na relação de risco e eficácia dessas substâncias. Ou seja, os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos, segundo as indicações e modos de uso aprovados e constantes da bula.
Recentemente a autoridade reguladora do Reino Unido (MHRA) informou que registrou, entre 2007 e outubro de 2025, 1.296 notificações de pancreatite relacionadas aos usuários desses medicamentos, incluindo 19 óbitos. No Brasil, de 2020 até 7 de dezembro de 2025, houve o registro de 145 notificações de suspeitas de eventos adversos e seis suspeitas de casos com desfecho de óbito.
A preocupação com esses eventos foi um dos motivos para a Anvisa determinar, em junho de 2025, que farmácias e drogarias passassem a reter a receita desses medicamentos, conforme a RDC nº 973/2025 e a IN nº 360/2025. Desde então, a prescrição médica passou a ser feita em duas vias, e a venda só pode ocorrer com a retenção da receita na farmácia ou drogaria, assim como acontece com os antibióticos. A validade das receitas é de até 90 dias, a partir da data de emissão.
A decisão teve como objetivo proteger a saúde da população brasileira, visto que foi observado um número elevado de eventos adversos relacionados ao uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas.
A Anvisa destaca que o uso indiscriminado e fora das indicações autorizadas, especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica, eleva significativamente o risco de efeitos adversos e dificulta o diagnóstico precoce de complicações graves.
Orientações à população e aos profissionais de saúde
A Agência recomenda que os usuários desses medicamentos procurem atendimento médico imediato, em caso de dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos — sintomas sugestivos de pancreatite.
Os profissionais de saúde devem interromper o tratamento, ao suspeitar da reação, e não dar prosseguimento, caso o diagnóstico seja confirmado. A Anvisa reforça ainda a importância da notificação de eventos adversos no VigiMed, o que contribui para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos no país, que estão há pouco mais de cinco anos no mercado nacional.
Histórico regulatório
Nos últimos anos, a Anvisa já havia emitido outros alertas relacionados aos agonistas de GLP‑1. Riscos de aspiração durante procedimentos anestésicos (2024) e perda de visão rara associada à semaglutida (2025) foram alguns desses alertas, o que demonstra o monitoramento constante dessa classe terapêutica.







