O presidente Lula (PT) defendeu, neste sábado (7), que a militância petista busque apoio dos evangélicos ao partido. Em discurso na cerimônia de comemoração dos 46 anos do PT, em Salvador (BA), o chefe do Executivo ainda alegou que a maior parte dos evangélicos recebe recursos governamentais.

“Então o PT precisa ir para a periferia, o PSB tem que ir para a periferia, o PCdoB tem que ir para a periferia e o PDT tem que ir para a periferia. E o povo evangélico? 90% dos evangélicos ganham benefícios do governo. Nós não podemos esperar que um pastor fale bem de nós. Nós temos que ir lá (nas igrejas) e conversar”, disse.

O petista considerou que “não há como perder” para os adversários, mas ressaltou a importância da narrativa política.

“O que vai ganhar essas eleições é a nossa narrativa política”, afirmou. “Vamos ter que construir o discurso político, ainda não está pronto, mas vamos ter que preparar, porque é uma guerra política”, prosseguiu.

“Nós temos que escrachar cada mentira que eles contarem, nós temos que desmontar, e temos que provar e ter coragem de debater A gente não pode ficar quieto, nós temos que ser mais desaforados, porque eles são desaforados. E nós não podemos ficar quietinhos. Não tem essa mais de ‘Lulinha paz e amor’, não tem essa mais. Essa eleição vai ser uma guerra e nós vamos ter que estar preparados para ela”, acrescentou.
O presidente ainda disse que há muita mentira e desinformação e chamou PT, PCdoB, PSB, PDT “e quem mais a gente conseguir trazer” para atuar contra o que chamou de fake news.
“Essa luta é se a gente vai permitir que esse País continue a ser democrático ou se vai ser um país fascista, como eles queriam construir. O que está em jogo é a democracia desse País, o que está em jogo a manutenção de instituições que nós temos muitas críticas, mas que são o que garante a democracia desse País”, ressaltou.
O chefe do Executivo também disse que o Brasil é solidário ao povo cubano e defendeu que o problema da Venezuela seja resolvido pelo povo daquele país. Ele também celebrou as relações com a China, maior parceira comercial do Brasil.
“Nosso País é solidário ao povo cubano, que é vítima de um massacre e de especulação dos Estados Unidos contra eles”, disse. Ele defendeu que o PT “encontre um jeito” de ajudar Cuba.
“Nós temos que dizer em alto e bom som que o problema da Venezuela tem que ser resolvido pelo povo venezuelano, e não pelos Estados Unidos ou pelo (Donald) Trump”, afirmou na sequência.
As falas são feitas pouco antes de uma viagem oficial que Lula fará a Washington, para se encontrar com o presidente norte-americano, Donald Trump, e discutir assuntos de interesse comum dos dois países, como o tarifaço.
O petista ainda pontuou que “toda reunião” internacional visa evitar que os países vendem terras raras e minerais críticos à China, e destacou a parceria comercial sino-brasileira. “Sou muito grato à parceria que o Brasil tem com a China, porque é uma parceria respeitosa e exitosa”, elogiou.