
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na manhã de quinta-feira (8), antes de um evento no Palácio do Planalto, para entregar a carta de demissão do cargo. A expectativa é que a saída seja formalizada ainda na sexta-feira (9).
Até o momento, o governo federal não divulgou quem irá substituir Lewandowski. Entre as alternativas avaliadas está a realização de uma transição interna, com a nomeação interina de um dos secretários da atual gestão para comandar a pasta.
Diferentemente de outras mudanças previstas para este ano, motivadas por disputas eleitorais ou rearranjos administrativos, a saída do ministro estaria relacionada ao desgaste acumulado no exercício da função. Segundo apuração do jornal O Globo, Lewandowski teria relatado a Lula o desejo de deixar o governo por razões pessoais, com a intenção de dedicar mais tempo à família.
Nos bastidores, a avaliação é de que o ministro se encontrava esgotado após enfrentar conflitos internos e se envolver em embates políticos de grande repercussão, como a tentativa da oposição de enfraquecer a PEC da Segurança Pública em favor do chamado PL Antifacção.
Outro fator que pode ter acelerado a decisão foi o anúncio feito por Lula sobre a possibilidade de recriação do Ministério da Segurança Pública, área que atualmente está sob a responsabilidade do Ministério da Justiça.
A proposta do presidente é vista como uma estratégia para disputar o debate sobre segurança pública, tema historicamente explorado pela direita em campanhas eleitorais e apontado como um ponto sensível do governo. Lewandowski, no entanto, já havia se posicionado contra a ideia, argumentando que a criação de uma nova pasta poderia enfraquecer o Ministério da Justiça e fragmentar as ações de combate ao crime organizado, inclusive ao alterar a estrutura de subordinação de órgãos como a Polícia Federal.







