
A inauguração da roda-gigante Wheel Manaus, inaugurada na última quinta-feira (20), feriado da Consciência Negra, na orla da Ponta Negra, Zona Oeste, está envolta em um manto de questionamentos que colocam em xeque a transparência da operação. A atração, amplamente promovida pela Prefeitura de Manaus como parte da programação natalina oficial, é operada por uma empresa cujo registro e sede levantam sérias dúvidas.
Uma consulta detalhada ao cadastro da Wheel Manaus na Receita Federal revelou que a empresa foi constituída há apenas dois dias, com o CNPJ registrado em 18 de novembro de 2025 e um capital social de R$ 300 mil. A empresa está em nome do empresário Jean Marcos Praia Rocha.

ENDEREÇO FANTASMA
O ponto mais crítico da investigação reside no endereço fiscal declarado pela Wheel Manaus: Avenida Autaz Mirim, nº 6798, bairro São José Operário, na Zona Leste. Uma visita no local revelou uma realidade distante de qualquer instalação empresarial. O que se encontrou foi um terreno baldio com uma casa abandonada, marcado por acúmulo de lixo e pichações. Nenhum responsável pela empresa foi encontrado no local.
A disparidade entre a grandiosidade do projeto turístico e a precariedade da sede oficial da operadora sugere uma operação de fachada, levantando suspeitas sobre a origem e a natureza do empreendimento.
SILÊNCIO E FALTA DE TRANSPARÊNCIA
A falta de transparência se estende à relação entre a Wheel Manaus e o poder público municipal. Uma busca minuciosa no Portal da Transparência e no Diário Oficial do Município (DOM) não encontrou qualquer registro público de contrato, parceria, licitação, aluguel ou termo de cooperação envolvendo a empresa e a Prefeitura de Manaus.
A Wheel Manaus foi contatada via e-mail, questionando a origem da estrutura, o processo de contratação e o modelo de operação, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.
A Prefeitura de Manaus também foi interpelada com questionamentos cruciais, como a existência de processo licitatório, o uso de recursos públicos, o valor do contrato e o tempo de permanência da atração. Assim como a empresa, o executivo municipal não respondeu aos questionamentos até a publicação desta matéria, reforçando o clima de opacidade.
Enquanto as questões de fundo permanecem sem resposta, a população é convidada a usufruir da atração mediante a compra de ingressos exclusivos pelo site IngressosFly, limitados a dois por pessoa, com valores de R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada). O custo da diversão contrasta com a nebulosidade da contratação.







