O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM) disse que a comissão já avançou em pontos fundamentais para entender como o Brasil chegou num estágio tão grave da pandemia.

“Para quem dizia que a CPI não daria em nada, já identificamos o gabinete paralelo e a recusa de vacinas”.

Além da recusa inicial de vacinas da Pfizer e da CoronaVac, a CPI decidiu aprofundar o funcionamento do gabinete paralelo de enfrentamento da Covid que passou atuar diretamente no Palácio do Planalto no aconselhamento do presidente Jair Bolsonaro.

A avaliação de integrantes da CPI é que esse gabinete paralelo, que conduziu mais de duas dezenas de encontros à margem do Ministério da Saúde, foi fundamental para uma atitude negacionista.

A CPI ainda quer mensurar quantas mortes poderiam ter sido evitadas com a adoção de medidas corretas para enfrentar a pandemia, com a aquisição de vacinas e recomendações de distanciamento social, ao invés do estímulo do uso da cloroquina (remédio ineficaz para a Covid) como tratamento precoce.

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Como revelou à GloboNews o senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da CPI, a comissão já tem provas de que integrantes do chamado gabinete paralelo se reuniam todos os dias com o presidente Bolsonaro.

Esse “gabinete” teria indicado as diretrizes para o enfrentamento da pandemia, entre as quais a adoção do chamado tratamento precoce.

Nesse contexto, deve ser aprovada a convocação do deputado Osmar Terra (MDB-RS), que é médico e ex-ministro da Cidadania. Ele é considerado por membros da CPI da Covid como “peça-chave” desse gabinete.

Terra é contrário a medidas de isolamento como forma de conter a expansão da doença. Ele foi uma das primeiras pessoas públicas a lançar a tese da chamada “imunidade de rebanho”, ou seja, a contaminação generalizada como forma de se alcançar a imunização coletiva.