O pesquisador e epidemiologista da Fiocruz Amazônia, Jesem Orellana é enfático ao afirmar “Ou se decreta um severo ‘Lockdown’ em Manaus, com ao menos 21 dias de duração, ou veremos esta tragédia se aprofundar ainda mais, ceifando centenas de vidas e causando mais sofrimento e dor para milhões de amazonenses e angústia na humanidade como um todo”. O pesquisador, desde o ano passado defende o confinamento geral no estado afirmando que o Amazonas iria passar por uma segunda onda mais grave.

Por meio de um texto escrito nas suas redes sociais na manhã desta quinta-feira, 21, Jesem afirma que Manaus é um laboratório, a céu aberto, onde todo tipo de negligência e barbaridade é possível, sem punição e qualquer ameaça à hegemonia dos responsáveis pela (não) gestão da epidemia nos mais diferentes níveis.

“A regra parece ser deixar o vírus correr livre, horrorizando a humanidade, com direito a nova variante cujas consequências são imprevisíveis”, escreveu.

No início do texto, o pesquisador lembra que há 40 dias previu e alertou que janeiro seria o mês das lamentações e do luto.

“Está mais do que confirmada e, por mais desumano e monstruoso que pareça, em Manaus, capital mundial da COVID-19, não há qualquer sinal de Lockdown”.O pesquisador também destaca o número explosivo de sepultamentos entre 13 e 19 de janeiro desse ano como indicador da gravidade da pandemia. “Com uma média diária de 191, um padrão inédito na história de Manaus e quase 6 vezes maior do que o padrão habitual. A média diária de mortes em domicílio, um fenômeno fortemente observado na primeira onda entre 13 e 19 de janeiro de 2021, foi de aproximadamente 27”, disse.Jesem também chamou a atenção para o indicador de mortes em domicílio após enfermarias de hospitais terem sido transformadas em câmaras de asfixia. “É interessante refletir sobre o indicador de mortes em domicílio, já que Manaus chocou a humanidade em 14 de janeiro, quase que exclusivamente, pelo fato de suas enfermarias hospitalares terem sido transformadas em espécies de câmaras de asfixia, já que dezenas de vítimas foram a óbito sem oxigênio medicinal. Não foi coincidência Manaus ter sepultado, inacreditavelmente, 213 mortos no dia seguinte”.“Em média, 27 pessoas morreram em casa, sendo que boa parte pode ter acabado sufocada e ocasionado danos psicológicos irreversíveis em familiares e entes queridos. Lembro que esse tipo de morte sem assistência médica tem acontecido com frequência e deve continuar. Imaginem nos 61 municípios do interior do Amazonas, onde as pessoas também morrem asfixiadas e não existe leito de UTI?”, complementou.O pesquisador alerta que, apesar da vacinação contra o vírus ser uma “alentadora” realidade, os benefícios só serem sentidos nos próximos meses e, por isso, defende que medidas emergenciais sejam tomadas.Jesem também destaca que a necessidade de observadores internacionais independentes alegando que os diferentes níveis de gestão à frente da pandemia não são confiáveis.“Precisamos urgentemente de observadores internacionais independentes ligados à Organização Mundial da Saúde (OMS), Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e à Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos (CNUDH), pois não é mais possível confiar nos diferentes níveis de gestão que estão à frente da epidemia em Manaus.Precisamos, salvar vidas e não aprofundar a tragédia sanitária e humanitária de 2020 em 2021. É nosso dever defender a boa ciência e o SUS! Vidas importam!”, finaliza.

O Amazonas chegou à segunda onda de casos da Covid-19 e, na quarta-feira, 20, batendo mais um recorde com mias de 5 mil casos novos de pessoas infectadas.  

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