Manaus – Para algumas pessoas lidar com a morte é motivo de tristeza, para outras, é oportunidade de negócios. A “máfia dos caixões” é um esquema de pagamento de propina relacionado ao sistema funerário fornecido pela prefeitura do município. É uma manobra que existe há anos e, segundo notícias da imprensa nacional, está presente em quase todos os governos.

Voltemos para o ano de 2011. O Ministério Público Estadual (MPE) recebe uma representação solicitando investigação às ações da Secretaria Municipal de Ação Social e Direitos Humanos (SEMASDH), sob suspeita de irregularidades na prestação do serviço funerário em Manaus. Amazonino Mendes era prefeito e tinha uma relação de proximidade com o secretário.

O autor da denúncia à época, o vereador e corregedor da Câmara Municipal de Manaus (CMM), Wilton Lira (PTB), apontou o secretário municipal de Ação Social e Direitos Humanos (SEMASDH), Sildomar Abtibol, como o responsável pelo agenciamento e a venda ilegal de planos de assistência funeral e urnas funerárias.  

O secretário Sildomar Abtibol, também era proprietário da ONG CASA – Centro Assistencial Salomão Abtibol – que segundo se especulava nos bastidoresda política, era usada para transações ilegais e lavagem de dinheiro. Sildomar foi acusado de se apropriar da estrutura da secretaria, bem como do programa SOS funeral, para fins e promoções pessoais.

No dia 02/05/2011, indignado com o mau uso da ‘máquina pública’, o vereador Wilton Lira (PTB), utilizou o plenário da Câmara Municipal de Manaus (CMM), para apresentar provas sobre a denúncia contra Sildomar Abtibol. Durante a sessão, Wilton mostrou uma gravação registrada no call center da Prefeitura de Manaus que comprovava a solicitação de um serviço do auxílio funeral oferecido pelo município à população. Na gravação, a atendente registrava os dados da requerente do funeral e a encaminhava a um local particular de realização de velórios, pertencente ao secretário Sildomar Abtibol. O trecho mostrava que os caixões doados pelo município eram utilizados em benefício próprio do secretário.

O prefeito de Manaus à época, Amazonino Mendes, também foi apontado como coadjuvante do suposto esquema, pois tinha conhecimento das irregularidades mas não se pronunciava, pelo contrário, segundo pessoas próximas ao político, Mendes autorizava a prática.  

Wilton também questionou sobre a empresa contratada para fornecer os caixões, cujo o contrato social na Junta Comercial do Estado do Amazonas (Jucea) era de uma empresa de bebidas. “O mais escandaloso é a contratação de uma empresa de bebidas para esse fornecimento de caixões”, disse o parlamentar, à época, ao informar que iria entregar os documentos ao Ministério Público do Estado (MPE), para investigação do caso.

As acusações resultaram em vários conflitos e foram compartilhados nas redes sociais.

O vereador também contou sobre o descaso do então prefeito Amazonino Mendes, que ele próprio presenciou, ao dar ciência das irregularidades que ocorriam na secretaria. Segundo Wilton Lira, Mendes não reprovou a má conduta ocorrida em sua gestão, pelo contrário, orientou que o vereador fosse à secretaria e conversasse com o próprio secretário, Sildomar Abtibol, para propor um acordo, o que para o vereador significou entrar no “esquema”.

Apesar da denúncia e das provas apresentadas pelo vereador, a “máfia dos caixões” ocorrida na SEMASDH, nos anos de 2008 a 2011, caiu no esquecimento.

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