No Malauí, consumo de rato ajuda população a evitar a fome durante a pandemia

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on email
Share on twitter

Os ratos se tornaram um ingrediente essencial na alimentação da população mais pobre do Malauí, que é ameaçada pela fome. Tradicionalmente consumidos como um lanche, eles foram transformados pela pandemia do coronavírus em um prato de sobrevivência.

Localizado no sul da África, o Malauí é considerado um dos países mais pobres do planeta. Mais da metade dos quase 18 milhões de habitantes sobrevive abaixo da linha de pobreza.

Pelo balanço da universidade dos americana Johns Hopkins, há mais de 5.400 casos e 175 mortos em decorrência da Covid-19 no país.

Como no resto do continente, as medidas de saúde adotadas para frear a propagação de Covid-19 afetaram a economia, amplamente informal e rural, e a população. O Banco Mundial projeta uma queda de 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2020.

Uma federação industrial local (ECAM) registrou a perda de 1.500 empregos por dia, em média, e calculou que o número acumulado pode alcançar 680 mil até o fim do ano.

Havia planos para um programa de subsídios ao consumo, mas em maio aconteceu uma eleição no país, e o governo foi trocado. O novo presidente, Lazarus Chakwera, ainda trabalha em um projeto para mitigar as perdas econômicas.

Insegurança alimentar

A crise de saúde e econômica aumentou a insegurança alimentar de vários malauianos, obrigados a adotarem medidas alternativas para saciar a fome.
As autoridades de saúde recomendaram há alguns meses o consumo de rato, uma alternativa à carne, que se tornou inacessível. “É uma fonte valiosa de proteínas”, alega Sylvester Kathumba, nutricionista chefe do Ministério da Saúde.

Como a epidemia afeta em especial “pessoas com baixa resistência imunológica, recomendamos uma dieta rica”, explica o diretor de alimentação da secretaria de Saúde do distrito de Balaka, Francis Nthalika.

Assados no espeto e salgados, os ratos são tradicionalmente consumidos entre as refeições em localidades do centro do país.
Bernard Simeon, um agricultor, é um dos que passaram a vender os ratos em espetos na beira da estrada. “Caçamos os ratos para viver. Nós usamos como complemento da dieta diária e vendemos aos viajantes para complementar a renda”, disse ele.

Sua mulher, Yankho Chalera, diz que eles recorrem aos ratos quando não há dinheiro para comprar carne. “Normalmente, contamos com meu marido e seu trabalho”, afirma.

Com informações G1

Relacionado Posts